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17/02/2012 - 00h00 | Atualizado em 16/02/2012 - 21h27

Vivo e Telesp alavancam lucro da Telefônica para R$ 4,3 bi

Valor aferido no ano de 2011 foi 81,8% maior do que o registrado em 2010; integração e aumento da base de clientes impulsionaram os números da empresa

Por: bruno de oliveira

São Paulo

Tudo indica que a operadora Telefônica já colhe os frutos da incorporação da Telesp e da Vivo — antes controlada pela Portugal Telecom (PT), ao se consolidar como líder absoluta no mercado nacional de telecomunicações, à frente das rivais TIM (Telecom Italia Mobile), Claro e Embratel (América Móvil) e Oi (ex-Telemar). O negócio, finalizado em abril de 2011, foi o fator apontado pela empresa espanhola como o responsável pelo lucro líquido consolidado no ano passado de R$ 4,36 bilhões, 81,8% a mais do que o volume registrado em 2010.

“Estes resultados são ainda mais significativos se consideramos que em 2011 concluímos importantes períodos do processo de integração entre a Telefônica e a Vivo, entre negócios fixos e móveis”, explicou o presidente da Telefônica Brasil, Antonio Carlos Valente. Além da incorporação da Vivo, a empresa também aponta o aumento na base de clientes, que passou de 75,4 milhões, no final de 2010, para 86,9 milhões até o último mês de dezembro, incluindo telefonia fixa e móvel, Internet banda larga e televisão por assinatura. Este fator, no entanto, é visto por analistas do setor como pouco participativo nos resultados da empresa.

“A integrações foram fundamentais para que a Telefônica chegasse a esses valores. No caso do crescimento da base de clientes, acredito que não tenha sido fundamental para a alta no resultado, até porque mais da receita da Telefônica vem de serviços para dispositivos móveis”, conforme afirmou Eduardo Tude, especialista da  consultoria Teleco.

A empresa de telefonia aponta também outro fator com relação ao relatório do balanço anual. Em nota, a Telefônica diz que há uma “clara mudança no mix de serviços prestados, com um significativo aumento na representatividade de acessos de banda larga sobre linhas em serviço, que passou de 29,4% em 2010 para 33,1% em 2011”. A banda larga atingiu 3,6 milhões de clientes no final de 2011, expansão de 9,5% ou 314 mil adições líquidas ante 2010.

Outro ponto destacado pela operadora foi justamente o aumento na oferta de fibra ótica no País. “Contribuiu para essa evolução o acesso por meio do FITH (fiber to the home, ou fibra conectando a casa), com portfólio de velocidades de 15Mb, 30Mb e 100Mb. A melhoria desse serviço segue garantindo baixos níveis de churn (taxa de desconexão) e um expressivo aumento no índice de satisfação do cliente de banda larga”, ressalta a companhia. Entretanto, o consultor Tude conta que este serviço ainda tem pouca representatividade na receita da Telefônica. “A empresa possui uma cobertura de 11 milhões de usuários em sua área de concessão. Deste total, 1 milhão utiliza o serviço FTTH. Ainda é participação pequena no todo”.

De acordo com o balanço divulgado, a receita líquida da empresa cresceu 5,4% no último ano, até R$ 33,171 bilhões, enquanto que o Ebitda (sigla para lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) foi de R$ 12,034 bilhões, representando um crescimento de 6,4%. Para ao longo deste ano de 2012, a empresa projeta ainda no orçamento investir R$ 4,9 bilhões. O aporte deve ser destinado para a expansão da fibra ótica em mercados de alto valor, como a cidade de São Paulo, e no serviço de telefonia fixa no nordeste.

“Estamos focados em fazer ativação das fibras passadas. Atualmente são 15 cidades que contam com o serviço em São Paulo. Somos a operadora que menos perdeu cliente na base de telefonia fixa. Trataremos de proteger essa base, não perder clientes e minimizar perdas. Mas principalmente devemos crescer fora do estado”, como declarou o diretor executivo da Telefônica Brasil, Paulo Cesar Teixeira.

Concorrência acirrada

Uma das grandes concorrentes da Telefônica, a rival TIM, que chegou no segundo semestre à vice-liderança do mercado de telefonia móvel em número de habilitações, divulgou seu lucro líquido trimestral e viu um aperto de sua margem Ebtida, que caiu para 27,8% no quatro trimestre, ante 30,6% um ano antes.

“A margem está bem controlada apesar do investimento nos aparelhos que estamos acompanhando”, afirmou Luca Luciani, presidente da TIM. O executivo disse, ainda, que a companhia também pode ficar de fora do leilão de frequência 2,5 Ghz para Internet móvel de quarta geração (4G) se os termos do certame não forem interessantes.

A TIM vai investir R$ 3 bilhões em 2012, especialmente na ampliação da sua rede, que hoje conta com 25 mil quilômetros de fibras ópticas.

“O Brasil é um mercado que ainda vai ter crescimento relevante na continuação da substituição da voz fixa pela móvel”, justificou Luciani.

No ano passado, a operadora afirma ter investido cerca de R$ 2,9 bilhões, principalmente na expansão de infraestrutura de rede. Assim,  de acordo com a companhia, a estratégia foi suficiente para atender a expansão da sua base de consumidores.


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