Palavras-chave: companhias, dólar, euros, finanças, mercado
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04/07/2012 - 00h00

Vale e OAS buscam emissão via bônus em outras moedas

Emissão de dívida em países como Chile e Peru é muito mais barata quando comparada às taxas praticadas em debêntures no Brasil

Por: Ernani Fagundes

São Paulo

Companhias abertas, como a mineradora Vale, ou fechadas, como a construtora OAS, buscam alternativas ao dólar na emissão de títulos privados no exterior

Divulgação

Companhias abertas, como a mineradora Vale, ou fechadas, como a construtora OAS, buscam alternativas ao dólar na emissão de títulos privados no exterior

Companhias abertas, como a mineradora Vale, ou fechadas, como a construtora OAS, buscam alternativas ao dólar na emissão de títulos privados no exterior.

Ontem, a mineradora Vale anunciou que precificou a oferta de 750 milhões em euros em bônus de 10,5 anos no mercado internacional. Segundo o departamento de Relações com Investidores da Vale, os bônus com vencimento em 10 de janeiro de 2023 terão cupom de 3,75% ao ano, pagos anualmente, ao preço de 99,608% do valor de face do título.

A operação alcançou  spread de  225,7 pontos-base (2,257%) sobre o retorno dos títulos German Bund [bônus da Alemanha], resultando em rendimento para o investidor de 3,798% ao ano.

Na mesma linha de diversificação em moedas, o responsável de finanças corporativas da OAS, Diego Barreto, contou aos seus pares de Relações com Investidores (RIs) a estratégia de sua companhia de capital fechado para acessar o mercado de dívida em 20 diferentes países onde atua. 

“Nossa estrutura de hedge [proteção] trabalha com até 20 moedas diferentes”, informou o RI da OAS, Diego Barreto, ao participar do 14° Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, encerrado ontem, em São Paulo.  

O modelo da OAS elevou a captação da empresa em R$ 2,9 bilhões nos últimos dois anos, de R$ 600 milhões para R$ 3,5 bilhões. “Ao criar um racional econômico, a dívida não é vista como custo, mas como investimento. Não conheço outra empresa de capital fechado que tenha criado uma estrutura de RI só para o mercado de dívida”, detalhou Barreto. 

Ao relatar o pioneirismo da companhia, ele revelou que a emissão de títulos de dívida em outros países da América Latina pode ser muito mais razoável quando comparado com as taxas de emissão de debêntures no Brasil. “No Peru, é possível conseguir uma taxa de 3,5% ao ano, com vencimento em 20 anos”, comparou o executivo. 

O diretor de Relações com Investidores da Cemig, Luiz Fernando Rolla, confirmou essa realidade. “Emitir no Chile é muito mais barato que no Brasil. Até disse aos chilenos que iria fazer meu prospecto lá. O risco é o do peso chileno”, exemplificou Rolla. 

Mas o diretor da Cemig diz que o foco da companhia de energia é o mercado doméstico. “Foi por necessidade de captação que acessamos o Novo Mercado de Renda Fixa para alongar o vencimento de nossa dívida, hoje com prazo médio de 3,5 anos, quando nossos projetos são de 10 anos. É essa perspectiva de juros baixos e de prazo que precisamos e que existem no Chile e do Peru”, deseja o diretor de RI da Cemig.

Presente ao evento, a gerente de Relações com Investidores da Petrobras, Bianca Nasser Patrocínio, informou que a companhia de petróleo não utiliza o mercado doméstico de debêntures desde 2002. “70% da dívida está denominada em dólar, estamos em volume crescente, constantemente acessando o mercado externo.”

Para financiar seu plano de investimentos 2012-2016 de US$ 246 bilhões, a Petrobras deve captar até US$ 80 bilhões nos próximos cinco anos no mercado de títulos privados de dívidas, principalmente com a emissão de bônus internacionais.

Segundo Bianca, a necessidade de captações anuais durante o período do plano é de US$ 16 bilhões, sendo US$ 8,7 bilhões em dívida líquida quando considerada a rolagem da dívida da companhia. “É nossa política informar ao investidor  internacional que vamos acessar o mercado preferencialmente em uma grande operação por ano”, disse Bianca.

A Petrobras já captou US$ 7,2 bilhões no mercado internacional em 2012. “Não temos nenhuma data para outra operação”, disse Bianca aos jornalistas.

“Vamos avaliar as condições das debêntures de infraestrutura, mas o importante é fomentar esse mercado para a captação de nossos fornecedores”, concluiu Bianca. Do total de US$ 82 bilhões em dívida da companhia, 70% está vinculada ao dólar.

Ela explicou que o aumento da cotação do dólar em 2012, de cerca de 20% desde janeiro, provoca um impacto contábil no balanço da companhia. “A Petrobras possui receitas em dólar com a produção de petróleo, o hedge está relacionado ao ajuste de fluxo de caixa”, esclareceu ao DCI.

Embora sem qualquer data ou decisão definida, Bianca disse que a Petrobras pretende crescer a dívida no mercado de euros, e eventualmente lançar em ienes, a moeda japonesa.

Euros 

Em comunicado ao mercado, a  Vale disse que utilizará os recursos líquidos da oferta em euros para propósitos corporativos em geral. A companhia solicitou a listagem dos bônus na listagem oficial da Bolsa de Luxemburgo e também a admissão para negociação no mercado Euro MTF.

A oferta global citou como coordenadores líderes: o BNP Paribas, Crédit Agricole Corporate and Investment Bank, HSBC Bank PLC e Natixis. E como gerenciadores: Mizuho Securities, Mitsubishi UFJ Securities, SMBC Nikko, CIBC e Scotiabank. A operação recebeu registro da SEC, a Comissão de Valores americana.


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