Por: Bete Cervi
SERTÃOZINHO
A Usina Albertina, em Sertãozinho, região de Ribeirão Preto, anunciou na manhã de ontem a suspensão das atividades e demitiu 600 funcionários que trabalhavam na área industrial. Segundo o comunicado distribuído pela empresa o questionamento judicial contra o acordo de arrendamento da área agrícola da usina para a LDC SEV S.A. prejudicou as negociações para o arrendamento da área industrial.
No comunicado a empresa alega que não terá condições de manter as despesas, o que levou a decisão de suspender as atividades. “Tentamos até o ultimo momento buscar opções que nos permitissem reter parte considerável dos funcionários, porém, diante das expectativas de não conseguir gerar fundos suficientes para a manutenção dos pagamentos em dia, não houve alternativa a não ser a dispensa da maioria, que acreditamos, deva ser absorvidos pelas demais indústrias da região, uma vez que as contratações para a safra que se inicia em abril estão a pleno vapor”, disse o representante da empresa Marcelo Milliet.
A usina deverá se reunir com o sindicato dos funcionários para acertar a forma como será feito o pagamento das rescisões dos empregados. O diretor do Sindicato da Alimentação, Mauro Roberto Bissi, informou que a Albertina marcou uma reunião para as 12 horas de hoje com todos os sindicatos para ver como ficará a situação financeira de cada um. O local está mantido em sigilo.
Nota
A usina distribuiu, ontem, a seguinte nota: “A Cia. Albertina Mercantil e Industrial, em recuperação judicial, esclarece que o contrato firmado com a LDC SEV S.A. tornou-se operacional nas últimas semanas. A decisão da Assembleia Geral de Credores de dezembro de 2011, que aprovou o contrato relacionado a ativos agrícolas, foi homologada pelo Poder Judiciário, tornando possível a formalização da participação da LDC em várias operações de parceria agrícola da empresa. Com isto, continua a nota, já foram quitados os débitos com parceiros que pretendiam rescindir contratos e retornar as plantações, bem como vários outros débitos da Cia Albertina de natureza extraconcursal. Os débitos acumulados após o término antecipado da safra 2011/12, em função da quebra de produtividade da região, também já começaram a ser pagos (todos os credores estão recebendo o mesmo percentual sobre dívidas) e novos pagamentos parciais estão previstos para a próxima semana, com a formalização da participação da LDC nos contratos remanescentes”.
“A operação formalizada com a LDC SEV, além de representar solução para parte do passivo das empresas, permitiu a preservação da movimentação econômica que a empresa tinha na região, na medida em que assegura a vários proprietários agrícolas a manutenção de um fluxo financeiro, que, se interrompido, poderia causar prejuízos e paralisações de atividades em várias comunidades da região”, disse Marcelo Milliet, diretor da Intermixture Consultoria Empresarial e Gestor Interino da Cia Albertina indicado pela empresa e pelos credores.
Segundo Marcelo, com a venda de seus ativos agrícolas na região de Sertãozinho e vizinhanças e a solução de parte considerável de sua dívida, a Cia Albertina esperava poder realizar contratos de arrendamento de seu parque industrial, ou de prestação de serviços com terceiros interessados em processar cana-de-açúcar. No entanto, potenciais interessados se afastaram diante da incerteza decorrente de novas disputas judiciais.
Diante das dificuldades, a Cia. Albertina, além do contrato com a LDC, decidiu manter apenas suas operações agrícolas na região do Paranapanema e se viu forçada a dispensar a maioria dos seus funcionários remanescentes na região de Sertãozinho.
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