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16/02/2012 - 00h00

Sky ficará fora da telefonia mas estuda leilão da rede 4G

Presidente da empresa no Brasil, Luis Eduardo Baptista afirma que a empresa não tem a necessidade de apostar em ofertas de serviços convergentes

Por: bruno de oliveira

São Paulo

Ao contrário das concorrentes Net (América Móvil), GVT (Vivendi) e Oi (ex-Telemar), que passaram a oferecer pacotes combinados de TV, telefonia e banda larga como alternativa para aumentarem os volumes de vendas e receita líquidas em um mercado cada vez mais restrito como o nacional, a operadora de televisão via satélite Sky anunciou que não entrará no ramo da convergência de serviços, tendência adotada pelo mercado nos últimos seis anos, a partir da entrada da operadora Oi no mercado com esta modalidade de negócio. Entretanto, o presidente da empresa no Brasil, Luis Eduardo Baptista, sinalizou para uma possível entrada da empresa na disputa pelas faixas da telefonia de quarta geração de telefonia móvel (4G), cujo leilão será realizado no mês de maio deste ano.

“Não temos a necessidade de completar a cobertura de nossa oferta com serviços convergentes. Optamos por sermos os únicos especialistas no mercado em televisão, e os números da empresa apontam para um crescimento maior do que as demais no setor”, disse Baptista.

De fato, a Sky figura entre as empresas de telecomunicações que mais cresceram em volume de vendas no mercado brasileiro em 2011. De acordo com levantamento feito pela consultoria Teleco, a empresa foi a que mais cresceu, com 61% em relação ao terceiro trimestre de 2010. Nextel aparece em segundo lugar, com 44%, sendo seguida de perto pela GVT, que cresceu 38%. Na sequência aparecem TIM (Telecom Italia Mobile) (19%), América Móvil (11%), Telefônica (5%) e Oi (-6%).

Em receita líquida, a Sky aparece em sexto lugar, com R$ 1,2 bilhões, à frente apenas de sua concorrente GVT, que registrou R$ 900 milhões. Na liderança seguem a Telefônica, que alcançou mais de R$ 8 bilhões no País, no terceiro trimestre. Na sequência aparecem América Móvil (R$ 7,5 bi), Oi (R$ 6,9 bi), TIM (R$ 4,4 bi) e Nextel (R$ 1,7 bi).

“Temos uma base de clientes de 14 milhões de assinantes da América Latina. No Brasil, de cada três telespectadores, cerca de dois estão assistindo à TV por meio da Sky. Portanto, não temos pressa, e nem cacife, para partirmos para um mercado onde outras empresas já atuam há muito tempo”, contou Baptista.

4G

Embora tenha sinalizado que ficará de fora da oferta de serviços convergentes, a Sky poderá concorrer certame das faixas de 2,5 GHz, mais conhecida como a da telefonia 4G. “É uma possibilidade, mas vamos decidir a entrada da empresa no certame até o dia leilão”, conta o presidente Luis Eduardo Baptista.

O leilão, que estava previsto para ocorrer no mês de abril, e que foi palco de inúmeros conflitos comerciais entre o governo federal e as operadoras de telefonia móvel, deverá ser realizado mesmo no mês de maio, de acordo com o ministro das Comunicações Paulo Bernardo.

“O edital deve sair em abril e o leilão deve acontecer em maio”, disse o ministro, durante o seminário Políticas de Telecomunicações, em Brasília. Bernardo afirmou, ainda, que o pacote de desonerações para redes de telecomunicações, anunciado ano passado, deve sair do papel em março, por meio de medida provisória. Mas os efeitos práticos para as empresas deverão começar a se fazer sentir em julho. “Tem uma etapa preparatória. As empresas tem de fazer projetos para obter anuência da Fazenda (Ministério). Então achamos que é razoável prever que estará funcionando a partir de primeiro de julho”, disse.

Netflix

A Sky sinalizou que vai ficar de fora da concorrência em serviços convergentes, no entanto anunciou que entrará no mercado de conteúdo. Na última quarta-feira, a empresa lançou o Sky Online, plataforma que vai disputar este nicho de conteúdo diretamente com a entrante Netflix e o serviço on demand Now, da Net.

“Depois que lançamos o HD com sucesso, vimos que tínhamos capacidade para liderar um projeto desses”, disse Baptista.

Em um primeiro momento, o Sky Online será ofertado apenas para clientes da operadora e no computador, mas Baptista pretende ampliar o acesso ao longo do ano para o iPad (tablet da Apple), e eventualmente para outras plataformas, como consoles ou o próprio decodificador de TV da Sky, além de expandir para não-assinantes.

Esportes

Baptista comentou o entrave entre Sky e Fox pela veiculação do canal Fox Sports, que não está sendo exibido por problemas contratuais. “Eu quero muito ter o Fox Sports lá, mas a que preço e que condições comerciais? Eles pedem muito alto”, questionou Baptista. Para Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o executivo disse ainda que já estão fechadas as empresas que veicularão os jogos. Porém, por conta justamente da forte demanda, elas terão de compartilhar com outros canais a exibição.


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