Por: Davi Brandão / Andrezza Ribeiro
São Paulo
Uma trajetória marcada de momentos inesquecíveis. Deste modo estão marcados os 31 anos de união da banda Roupa Nova, que no próximo mês de março, literalmente, embarca em uma nova aventura musical: o Cruzeiro Roupa Nova.
Idealizado pelo Grupo Terramar, com parceria da MSC Cruzeiros, o cruzeiro temático a ser realizado entre os dias 24 e 27 de março, com saída de Santos e escalas em Búzios e Ilhabela, mostrará aos viajantes os sucesso do sexteto formado por Ricardo Feghali (teclados, violão e vocais), Nando (baixo e vocais), Paulinho (percussão e vocais), Cleberson Horsth (teclados e vocais), Kiko (guitarra, violão e vocais) e Serginho Herval (bateria e vocais).
Ao todo, três shows realizados no teatro do navio MSC Armonia que prometem levantar a galera, que poderá relembrar sucessos, como “Dona”, “Whisky a Go Go”, “Coração Pirata”, “Começo, meio e fim”, entre outros.
Em entrevista concedida à reportagem do Shopping News, o percussionista Paulinho, comenta sobre este novo momento da banda, sobre a trajetória de sucesso do Roupa Nova, sobre música brasileira e o mercado fonográfico, entre outros temas.
“A amizade existe, pois se não tivesse a banda teria acabado há muito tempo”, enfatizou o músico, em um dos momentos da conversa.
Após uma apresentação realizada na casa de shows SkyLine Alphaville, a banda está de férias e descansa para retornar com todo vapor para a temporada de 2012, em que além da realização do cruzeiro, local que servirá de cenário para um novo trabalho, também retornarão ao estúdio para produção de novo álbum. Acompanhe o bate-papo:
Como você avalia a trajetória de 31 anos de carreira da banda Roupa Nova?
Posso dizer que é uma carreira vitoriosa. Nosso primeiro disco teve uma aceitação do público de todo o Brasil, e de lá para cá tivemos muita batalha. Trabalhamos com uma cabeça de banda, de grupo. Pensamos em grupo. Sempre estamos na batalha, sempre.
Em 1981 a banda gravou seu primeiro trabalho e no ano passado, o Roupa Nova entrou em estúdio para o álbum especial de aniversário. Ao longo deste período quais foram as principais mudanças com relação a sonoridade do grupo?
As mudanças ocorreram aos poucos. A cada ano o mercado internacional faz diversos lançamentos de instrumentos e equipamentos, e isso contribui para a mudança da sonoridade. O vocal do Roupa Nova é reconhecido com facilidade pelo público. A mudança de timbre se deve pelo passar do tempo. Cada membro do público possui seus ídolos e isso faz parte da criação de uma sonoridade.
O mercado musical atual lança diversos nomes, porém poucos se sobressaem. Com base neste fato, comente sobre essa relação de profissionalismo e amizade entre os integrantes do Roupa Nova, que convivem a mais de três décadas? Em algum momento tiveram crises?
A amizade existe, pois se não tivesse a banda teria acabado há muito tempo. A história é muito longa, mas éramos de bandas diferentes e, formamos um grupo. Fizemos algumas mudanças na época até acharmos o sexteto ideal. O Ricardo foi o último a entrar, e com ele formamos o grupo. Crises acontecem e são normais. As brigas já existiram para tentar melhorar, porém nunca pensamos em separação.
Um dos diferenciais do grupo é a participação vocal de todos os integrantes, certo? Comente sobre essa proposta.
Isso no Brasil é importante. Não conheço outra banda que faça isso. Na época tinha a banda 14 Bis, mas hoje não se vê mais. Esse foi um trabalho que valeu a pena.
Quando perguntam sobre sucessos, vocês falam que são 53, certo? Mas gostaria que você fizesse uma seleção especial
A seleção está no nosso último trabalho que é, justamente, o trabalho de festejo de nossos 30 anos de carreira, como “Dona”, “Anjo”, “Whisky a Go Go”, entre outras. Quem vai aos shows quer ouvir os grandes sucessos que fizeram parte da vida dele.
Também característico da banda é a participação nas trilhas sonoras de novelas. Como isso aconteceu ao longo da carreira de vocês?
Geralmente quando uma novela está para fazer seu estreia, o diretor musical começa a fazer pesquisa sobre as canções, e muitas destas vezes estávamos em estúdio preparando uma nova canção. Já aconteceu de estarmos com duas músicas no mesmo folhetim, sendo uma na abertura e outra como canção tema do protagonista. Na verdade existem várias maneiras para uma música entrar na novela.. Tem diretores que encomendam a canção. Um exemplo curioso foi a música “Dona”, que demoramos três anos para gravar, até que apareceu “Roque Santeiro”, e a música entrou na trilha sonora. Foi o disco com o qual começamos a ganhar os principais prêmios do mercado, e vendemos mais de 850 mil discos na época.
O Roupa Nova possui um selo independente, certo? Como isso aconteceu?
Foi em 2003, quando o mercado começou a complicar. A vontade de montar nossa gravadora era antiga. Tínhamos nos cansado de algumas atitudes de gravadores e decidimos montar nosso selo.
Quais os principais fatores que trouxeram estes momentos conturbados ao mercado da música?
Muitos falam da Internet, mas o principal fator foi a pirataria. Essa tecnologia, o estar na rede também prejudicou, mas essa ferramenta é um ótimo instrumento para divulgação. Acho um absurdo quando o artista abre o conteúdo completo para o usuário baixar. Para quem vive do disco é complicado, mas confesso que nunca vivemos somente da venda de disco. A sustentação vem dos shows, que necessita de uma grande estrutura a cada apresentação.
Comente sobre o encontro de diversas gerações nas plateias de seus shows.
A partir do primeiro DVD que gravamos, o “Roupa Nova - Acústico”, no qual resolvemos gravar as músicas no formato acústico, percebemos a dimensão do encontro de gerações entre o público do grupo. Não perdemos o público anterior, mas vimos crescer as pessoas entre os 15 e 35 anos e muitos deles influenciados pelos pais, pelos tios, mas principalmente, pelo formato do trabalho apresentado.
No próximo mês a banda estará em alto-mar, com a realização do Cruzeiro Roupa Nova. Fale sobre este novo desafio da banda.
Essa será nossa estreia em cruzeiros. Recebemos o convite da operadora e topamos o desafio. Faremos um produto, com a apresentação de imagens dos shows. Mostraremos algumas canções para o público presente e estamos animados. Não teremos convidados no palco, somente interação no telão. Teremos três shows no navio MSC Armonia, que viajará de Santos com escala em Búzios e Ilhabela.
Como avalia a nova geração de cantores brasileiros?
Vejo sempre como vi as outras. É criado um estilo e deste surgem outros e outros. Mas no final ficam aqueles que têm valores individuais e, claro, talento próprio. O que precisa ser boa é a música. Uma coisa que existe muito é o modismo.
Divulgação
"A amizade existe, pois se não tivesse a banda teria acabado há muito tempo", enfatizou o músico, em um dos momentos da conversa
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