Por: Cínthia Zagatto
São Paulo
O mercado de refeições coletivas — restaurantes corporativos que fornecem alimentação a empresas como indústrias, hospitais e escolas — deve manter o ritmo de crescimento de dois dígitos para este ano de 2012 ao movimentar R$ 15,1 bilhões, com incremento superior a 12%. Pelo menos é o que espera a Associação Brasileira de Empresas de Refeições Coletivas (Aberc), que aposta o crescimento de novos nichos com demanda agressiva nos próximos anos, como os setores de metalurgia e offshore.
Com a migração da autogestão para restaurantes terceirizados nas cozinhas de empresas, o setor representou nos últimos anos cerca de 7% do faturamento do food service (refeição fora do lar). Segundo a ECD Consultoria em food service, o índice deve se manter no fechamento de 2011, quando estima-se que a procura por alimentação fora do lar tenha crescido perto de 18% ante 2010 e movimentado cerca de R$ 215 bilhões. Já as refeições coletivas atingiram R$ 13,4 bilhões com alta de 24%, de acordo com a Aberc.
Este ano, a associação atribui o incremento esperado de 12% ao reajuste de 7% do preço da alimentação em escala mundial e ao aumento de 6% no número de refeições fornecidas no Brasil, que deve chegar a 11,2 milhões contra 10,5 milhões em 2011.
Empresas
É nesse contexto que empresas como a francesa Sodexo | Puras, a inglesa GRSA e a brasileira Sapore investem em infraestrutura para permanecerem competitivas e na liderança do mercado, que sofreu uma rotação em 2010. Hoje, elas detêm de 40 a 50% do setor. Diante da fusão entre a francesa Sodexo, antes a 3ª maior, e a brasileira Refeições Puras, 4ª, a nova marca Sodexo | Puras garantiu a liderança de mercado ao completar e fortalecer as operações em regiões nas quais antes eram pouco atuantes. É isso o que afirma José Antônio Martimiano, diretor de Marketing e Comunicação da Sodexo | Puras.
Para ele, o Brasil é uma das maiores promessas para a Sodexo, e a Puras chegou para estender os braços da empresa no mercado. “Estamos com crescimento estagnado em mercados europeus e norte-americanos. Já o Brasil tem registrado crescimento de 20% a 25% anuais pelo menos nos últimos 3 anos para nós”, declarou ele, ao DCI.
O País já representa o quarto maior mercado para a rede e perde apenas para Estados Unidos, França e Inglaterra, mas o cenário pode mudar. “Estamos trabalhando para isso, e com as nossas expectativas o Brasil deve chegar à primeira posição, mas ainda é cedo para dizer quando”.
A empresa conta com 40 mil colaboradores e está entre os 20 maiores empregadores do Brasil. São mais de 2 mil pontos operacionais com um faturamento de R$ 2,2 bilhões, com fornecimento que se estendem a bases e remotas e offshore ao fornecer para empresas como Vale, além da Petrobras. Segundo Antônio Guimarães, diretor-superintendente da Aberc, o segmento é o que mais tem crescido nos últimos anos. “Com o desenvolvimento de projetos em metalurgia e combustíveis, quem se especializar em offshores vai obter um público maior”. É o caso da GRSA, que conta com 22 operações remotas. Delas, 11 são unidades marítimas, em plataformas de petróleo, número que deve chegar a 35 até o final de 2013.
Outra aposta de consultores do setor é na ampliação das operações em hospitais e escolas. Segundo a ECD, cerca de 70% do faturamento ainda é proveniente de empresas do ramo industrial, porcentagem que a Aberc aponta como 80%. “A refeição industrial clássica está saturada”, aponta Enzo Donna, diretor da ECD.
“Ainda existe espaço, mas em novos nichos, como a administração de praças de alimentação, marcas próprias em food service, mas também o fornecimento de alimentação para hospitais, que precisa de uma especialização, já que os hospitais se preocupam porque a refeição faz parte do tratamento de saúde”. O mercado brasileiro ainda está limitado, mas tem espaço para expandir. Na Europa, por exemplo, a Sodexo já faz gestão de cadeia pública, segundo Martimiano.
Donna conta que o custo médio é de R$ 6 por refeição, mas a dificuldade rendimento fica na margem pequena de lucro, de em média 2,5% nas maiores empresas. “O que justifica o trabalho é um volume grande de fornecimento, e as empresas precisam otimizar cada vez mais seus sistemas”, explica Donna.
É por isso que as três maiores redes contam com centros de inteligência, como o Inteligência Operacional Sapore (IOS). “Com o IOS já padronizamos 95% dos produtos e, com isso, diminuímos o trabalho e o tamanho das cozinhas na casa dos clientes”, declara Maike Raiter, diretora de Suprimentos. A empresa alcançou faturamento de R$ 1 bilhão em 2011 e projeta alta de 20% para 2012 ao cobrir mais 5% do País.
R$ 2,017
R$ 1,940
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