DIÁRIO COMÉRCIO INDÚSTRIA & SERVIÇOS - www.dci.com.br
22/02/2012 - 14h16

Processos produtivos melhoraram em 20 anos

Corporações que exploram recursos naturais investiram bilhões para deixar a produção mais eficiente e reduzir as pressões socioambientais

Por: Maurício Godoi/ Juliana Estigarríbia

São Paulo

As preocupações com o meio ambiente e os impactos que as atividades para a produção de insumos destinados a abastecer a indústria de transformação tomou conta das medidas de empresas que exploram o extrativismo de matérias primas. Muitas empresas passaram a adotar ações de melhoria de processos sem perder, no entanto, o foco da rentabilidade. Não há um dado oficial de quanto essas companhias investiram, mas é certo que esses aportes ultrapassam a casa dos bilhões de dólares. Como resultado, cada uma delas colhe e divulga números de quanto houve de redução de uso de recursos minerais, de água ou emissão de gases de efeito estufa.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Jorge Soto, que também é membro da Comissão de Atuação Responsável da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), muita coisa mudou nesses 20 anos, desde que a Eco 92 foi realizada no Rio de Janeiro. No setor em que atua houve uma alteração na postura das companhias que podem ser separadas em duas vertentes, uma voluntária e outra compulsória.

A primeira delas está relacionada à ocorrência de acidentes e a visão negativa que estes acontecimentos traziam a todo setor químico.  “Naquele momento a indústria química encontrou um ambiente favorável à mudança de postura voluntária com a meta de atuar junto à comunidade”, lembrou ele. “Esse cenário favoreceu as medidas e hoje temos indicadores bem melhores que os apresentados na época”, relatou.

Entre esses indicadores, continuou Soto, a intensidade de emissões de gases de efeito estufa ganha destaque, com a queda de 41%. Esse indicador relaciona o volume de produção em comparação às emissões do setor. “Hoje, produzimos mais com menos emissões”. Outro dado apontado por ele é a redução do consumo de água em 18%, resultado da melhoria dos processos de produção, investimentos em tecnologia e reaproveitamento desse insumo. Os acidentes na indústria química recuaram 48% no Brasil nesses 20 anos. Segundo o executivo, o Brasil seguiu a tendência mundial, mas aqui os indicadores ficaram acima da média apurada mundialmente.

Já a segunda vertente dessa atuação, a compulsória, Soto lembra que há diversos acordos de redução de impactos da atividade da indústria que estão em nível governamental e que afetaram o setor químico. Entre os exemplos citados está o da troca do gás de refrigeração por outro menos ofensivo à atmosfera.

Na mineração, cuja atividade afeta profundamente o meio ambiente, foram tomadas medidas para melhorar os processos produtivos.

A  divisão de Níquel da Anglo American investe em novas tecnologias para controlar tanto o processo de consumo dos recursos naturais como emissões de carbono. “Assim, em todos os projetos conseguimos melhorar a produtividade e reduzimos os efeitos ao meio ambiente”, afirmou a gerente de desenvolvimento sustentável da Unidade de Negócio Níquel da mineradora, Juliana Rehfeld. No projeto da planta de Barro Alto, por exemplo, que começou a operar em abril de 2011, foram investidos mais de R$ 250 milhões em equipamentos, sistemas e instrumentos de controle ambiental, valor 10% acima do custo de implantação, explica a executiva.

Após os recentes vazamentos de petróleo que apresentou neste ano,  a recém-empossada presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que a companhia trabalha com os mais altos níveis de segurança na indústria do petróleo, no que se refere às melhores práticas no setor com vistas ao meio ambiente.

“Desde que aconteceu o acidente no Golfo do México, a empresa trabalha na prevenção  de acidentes. As regras e observações que antes tinham certa importância para a atividade passaram a ter extrema importância e tem exigido melhorias aqui na Petrobras”, disse a executiva. “É uma questão de cultura da companhia que está cada vez mais forte, venho trabalhando com a área de exploração e produção e garanto que é impressionante como a cultura da prevenção cada vez mais forte nas pessoas que trabalham na Petrobras”, diz.

Na primeira e segunda geração da cadeia petroquímica, que utiliza o Nafta na produção de resinas termoplásticas, a Braskem destaca o crescimento dos investimentos em sustentabilidade. Em 2003, logo após a formação da Braskem, a empresa investiu R$ 40 milhões e, em 2010, o montante saltou para R$ 450 milhões.

“Multiplicamos os investimentos que foram destinados a melhoria de processos  e ainda temos como forma de diferenciação nesse negócio nos posicionarmos em produtos sustentáveis como o polietileno verde, ações para queimar menos combustível”, afirmou Soto que cita os resultados obtidos com os aportes: redução em 35% a emissão de efluentes, queda de 63% de resíduo na produção.

A cadeia da celulose, outro insumo básico, vem aproveitando cada vez mais da plantação de florestas para abater seus “gastos”  ambientais. Por isso, a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), entidade que representa gigantes como a Fibria e a Suzano, adotou um discurso no qual destaca as vantagens da atividade do setor para a captura de carbono. Segundo dados do relatório de sustentabilidade da associação, o País conta com cerca de 2,2 milhões de hectares de florestas plantadas para fins industriais que absorvem cerca de três vezes mais carbono do que o processo de produção. O pulo do gato para o setor é a produtividade obtida,  que é a maior do mundo, tanto para a celulose de eucalipto quanto para a extraída de pínus. 


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