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18/04/2012 - 00h00

Previ quer colaborar com fundos menores em análise

Performance em 2011 do maior fundo de pensão brasileiro destoou da dos demais, que tiveram rentabilidade bem maior que o líder em previdência fechada

Por: Ernani Fagundes

São Paulo

O volume de ativos administrados pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) cresceu apenas 1,85%, ou quase R$ 3 bilhões em 2011 para o total de R$ 155,6 bilhões, de acordo com o balanço anual divulgado aos participantes.

Para efeito de comparação, a performance obtida pelo maior fundo de pensão brasileiro é bem inferior ao resultado conquistado por outras fundações no mesmo período — a Petros, dos funcionários da Petrobras, cresceu 10,23%; o Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal, avançou 9,57%; e os planos da Valia, dos empregados da Vale, tiveram valorização superior a 9,77%.

Em debate no Congresso de Private Equity e Venture Capital, realizado em São Paulo, o diretor de Investimentos da Previ, Renê Sanda, disse que a fundação “está com um apetite limitado para novos riscos em renda variável”.

De fato, a instituição possui 62% de seu patrimônio em renda variável, segmento que foi afetado pela queda de 18,11% da bolsa brasileira em 2011. Para 2012, a Previ deve vender R$ 7,5 bilhões do seu patrimônio em ações.

No evento, Sanda contou que a Previ foi convidada a discutir com o regulador uma forma de colaborar com fundos menores na análise de investimentos. “Há uma preocupação do regulador com o expressivo aumento dos custos para pequenos e médios fundos de pensão”, relatou.

“Vamos analisar os FIPs [fundos de investimentos em participações] e eventualmente, até recomendar para os pequenos fundos”, disse Renê Sanda.

A proposta está baseada no fato que montar ou manter uma estrutura para análise de investimentos custa proporcionalmente mais cara aos pequenos e médios fundos de pensão.

Dados da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) mostra que o percentual de despesas sobre o ativo total é bem maior entre os pequenos fundos de pensão.

As 75 entidades com até R$ 100 milhões em ativos gastam 2,36% em despesas. As 100 entidades com patrimônio entre R$ 100 milhões e R$ 500 milhões possuem despesas de 0,86%. As 78 entidades com ativos entre R$ 500 milhões e R$ 2 bilhões percentualmente gastam 0,56% em despesas. Nas 35 instituições com patrimônio entre R$ 2 bilhões e R$ 15 bilhões, a despesa representa proporcionalmente, 0,41%.

E por fim, nos 4 grandes fundos de pensão — Previ, Petros, Funcef e Valia — os custos representam 0,2% do total administrado.

Procurada pelo DCI, a assessoria de imprensa da Previc informou que os fundos pequenos e médios são autônomos para gerir seus recursos e que a informação sobre a colaboração dos grandes fundos com análise de investimentos pode estar equivocada.

Private equity 

Ante a queda da taxa básica de juros, o diretor de Investimentos da Funcef, Demosthenes Marques disse que a entidade deve diminuir a exposição em ativos atrelados a Selic, de 9% para 7% nos próximos dois anos, e em contrapartida, observar novos investimentos em fundos de private equity. “Somando as participações imobiliárias, o comprometido é 7%, esperamos ficar com 8,5% de participação dos ativos nesse segmento”, disse Marques.

A Funcef tem 33 FIPs com R$ 3,5 bilhões comprometidos e possui outros 8 fundos aprovados. “Não estamos acomodados. Vamos abrir um pouco a mão da liquidez e diversificar, tanto no capital intensivo para empreendimentos em infraestrutura e no middle market [médias empresas], disse o diretor da Funcef.

Em 2011, o patrimônio da Funcef saltou R$ 4,2 bilhões, de R$ 43,78 bilhões para R$ 47,97 bilhões. A carteira imobiliária teve ganhos de 24,46%, renda fixa com 14,16%, estruturados com 7,14% e renda variável, 3,5%.

A Petros também seguirá na linha de diversificação para contornar o ambiente de queda nas taxas de juros. “Os títulos públicos não sustentam mais as fundações”, afirma o diretor-financeiro da Petros, Carlos Fernando Costa.

A Petros comprometeu R$ 2 bilhões em fundos de private equity, em 26 fundos com participações em 120 empresas. “Acreditar nesses ativos agrega valor às fundações, e temos a responsabilidade de criar valor”, disse Costa. 

O diretor da Petros diz com a grande de títulos públicos vencendo, a instituição terá que ir para renda variável e participações. “Vamos buscar mais prazo e mais risco privado com o aumento de títulos privados, ações e debêntures em nosso portfólio, mas olhando a necessidade de liquidez e de desembolso dos planos.” A Petros registrou crescimento de R$ 5,385 bilhões em 2011 em seu patrimônio, de R$ 52,6 bilhões para R$ 57,9 bilhões. 


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