Por: *Peter Goldschmidt
HUARAZ (PERU)
A viagem da Familia Goldschmidt pelo Peru continua, desta vez visitando a região do lago Titicaca. Este é o lago navegável mais alto do mundo (3.812 metros) com 164 km de extensão e 64 km de largura. É dividido entre dois países, Peru e Bolívia. Nesta viagem vamos conhecer a cidade de Puno, seus sítios arqueológicos e algumas de suas exóticas ilhas.
Puno é a base para quem deseja conhecer o lago Titicaca. A cidade tem cerca de 120 mil habitantes e é conhecida como o centro folclórico do Peru. Isto acontece não só pela sua herança cultural, repleta de músicas e danças andinas, mas também pelo grande número de escolas e grupos de folclore espalhados pela região. Puno é um local histórico, inserido em um circuito arqueológico que se espalha por todas as margens do lago. Suas ruínas mais importantes são a de Chucuito, um tempo dedicado a fertilidade e as Chulpas de Sillustani, uma necrópole usada por reis Kolas e Incas. Nesta última existem torres funerárias de até 8 metros de altura espalhadas por um linda colina.
Toda a vida da cidade de Puno gira em torno do lago Titicaca. Do seu porto saem diariamente embarcações de pesca, transporte e turismo com destino a várias ilhas do lago. As mais próximas e talvez as mais famosas são as ilhas flutuantes do povo Uros. Construídas em Totora, elas estão ancoradas apenas a meia hora de Puno. Vivem ali 1.800 pessoas, divididas em 70 ilhas familiares. Os Ursos são descendentes dos Uroitos, um povo que no século XV, mudou-se da terra para dentro do lago. A principal matéria prima para os Uros é a Totora, uma espécie de junco que cresce nas margens do lago Titicaca. Eles usam a Totora para construir suas ilhas, suas casas, fazer seu artesanato e até na sua alimentação. Além da Totora os Uros vivem da caça, da pesca e mais recentemente do turismo. Eles descobriram como seu estilo de vida pode ser atraente para os “gringos” e viram nesta atividade uma nova fonte de renda. Cada ilha é divida em famílias ou grupo de famílias. As casas são móveis, o que facilita as mudanças em caso de briga entre vizinhos. Em alguns casos, as ilhas podem até ser divididas e separadas. Muito prático!
Outra ilha muito visitada é a Taquile, a apenas duas horas e meia de navegação desde Puno. Taquile é uma ilha rochosa e sua vila principal fica 190 metros acima do lago. Para chegar até ela existem dois caminhos: uma escadaria com 538 degraus que leva direto a vila ou uma trilha de quase 3 quilômetros, com subidas suaves que passa por fazendas e pequenas comunidades. Escolhemos a segunda, pois seria mais fácil evitar o mal da altura. Conforme subíamos, encontramos muitos taquilenhos fazendo suas atividades diárias que são basicamente a agricultura e o artesanato. Seus trajes logo nos chamaram a atenção, pois são diferenciados conforme o estado civil de cada um. As mulheres casadas normalmente se vestem com saia preta e blusa de cores sóbrias. Sobre a cabeça levam um xale de lã negro. As moças solteiras também usam o xale, mas suas roupas são de cores vivas e com enormes e coloridos pompons nas pontas do acessório. Todas usam de 5 a 6 saias, uma por cima da outra. Os homens em geral usam calça e colete pretos e uma cinta larga e colorida na cintura. Junto à cinta levam uma bolsa onde carregam as folhas de Coca. A diferença entre solteiros e casados está no gorro. Os solteiros um gorro branco e vermelho e os casados um gorro vermelho. Se o homem solteiro está comprometido usa o pompom do gorro para o lado. Se está disponível, usa o pompom para trás. Achei o costume bem prático e que com certeza evita muita confusão.
Por falar nisto, confusão é muito rara na ilha. Os Taquilenho tem um conjunto de três leis básicas herdadas dos antepassados Incas. São elas:
Ama Sua – Não seja ladrão.
Ama Kella – Não seja preguiçoso.
Ama Llulla – Não seja mentiroso.
Além disto, o princípio de companheirismo e da reciprocidade são muito fortes na comunidade. Se alguém precisa de ajuda, todos colaboram. Cada comunidade tem um presidente a quem todos os conflitos e necessidades são apresentados. Como sinal de sua autoridade, estes chefes usam um gorro colorido sob um chapéu escuro. Todos os domingos, depois da missa, os presidentes das diversas comunidades se reúnem com o prefeito (eleito por 4 anos) e discutem a solução dos problemas. Nunca terminam a reunião sem dar uma solução a cada caso. Isto ajuda a garantir um clima de paz na ilha. A comunidade de Taquile também é muito saudável. Existem poucas doenças e a média de vida é um das mais elevadas do Peru, chegando aos 85 anos. Isto se deve muito a vida tranqüila e ao fato de 98% das pessoas daqui serem vegetarianas. Os animais da ilha são usados para a agricultura, para tirar leite e lã.
A região de Puno e do lago Titicaca é um destino que pode ser visitado durante todo o ano. As maiores chuvas acontecem entre janeiro e fevereiro e o inverno é bem frio. Para saber mais sobre este destino entre no site da Gold Trip – www.goldtrip.com.br
*Peter Goldschimidt - é membro da Família Goldschmidt que desde 1999 viaja pelo mundo descobrindo e divulgando novos roteiros turísticos. É também diretor da agência de turismo Gold Trip
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