Por: Flávia Milhassi / Camila Abud
São Paulo
Por ainda ter grande perspectiva de crescimento, também em regiões aonde ainda não existem centros de compras (malls), o setor de shopping centers deverá seguir pelo menos nos próximos cinco anos nessa onda de fusões e aquisições. Sinônimo de crescimento nesse mercado de malls, e detentora de grandes shoppings —como o VillaLobos, Mooca Plaza, Metrô Santa Cruz, Granja Vianna, ABC e Tamboré (estes localizados em São Paulo)—, a empresa BrMalls mantém seus planos de ficar na liderança do segmento. Prova disso é que a empresa acaba de adquirir 33% do Itaú Power Shopping, instalado em Contagem (MG).
A divulgação da compra foi feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que em nota informou ter pago R$ 87,5 milhões pela aquisição — sendo a cifra com pagamento feito à vista. A operação também envolve o valor de R$ 2,3 milhões por 33% da operação do estacionamento do empreendimento. Com a aquisição, a companhia passa a ser responsável pela comercialização e assume de forma compartilhada a administração.
O resultado operacional líquido (NOI) estimado para os próximos 12 meses é de R$ 9,8 milhões. A aquisição representa um cap rate (porcentagem da renda anual conseguida por meio de um imóvel sobre o seu valor) de entrada de 11,2%, que considera o preço do shopping e o NOI. Conforme informações de especialistas, a taxa interna de retorno é 14,2%. Com a compra do estacionamento, a taxa aumenta: 14,5%. Procurada, a empresa não quis se pronunciar, mas por meio de nota afirmou acreditar na contribuição para melhorias no resultado do shopping, através de práticas comerciais e o padrão de gestão da companhia.
O shopping, localizado a 15 minutos da capital mineira, possui 32,7 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL). São 170 lojas e uma praça de lazer e entretenimento que conta com parque de diversões e games, 6 salas de cinema e 1.412 lugares. O empreendimento possui praça de alimentação com 20 lojas para cerca de 1.200 pessoas. Este é o sétimo ativo da empresa em Minas Gerais, que chega a um ABL total no estado de 214 mil m². No total, a empresa chega a um ABL 1.466,3 mil m². Apesar do nome, o Itaú Power não possui ligação com o Banco Itaú. A origem do nome está ligada à uma fábrica de cimentos da região, cuja marca também é Itaú.
Mercado
O setor, do começo do ano para cá, mostra-se movimentado com a compra e venda de participações em shoppings. Em janeiro a Multiplan comprou 30% do Shopping Vila Olímpia, da Brookfield Brasil Shopping Centers. Com a operação, que movimentou R$ 175 milhões, a Multiplan passou a ter 60% de participação no empreendimento e tornou-se administradora do mall.
Outra empresa que adquiriu mais participações foi a Sonae Sierra. Em janeiro, o grupo adquiriu 30% do Shopping Plaza Sul, tornando-se sócia majoritária, com 60% do empreendimento na capital. Em contrapartida, no começo deste mês a empresa vendeu 5,1% de sua participação do Shopping Penha para a Credit Suisse. “Este acordo foi realizado para obtenção de uma participação adicional de 30% no Shopping Plaza Sul, em troca de uma participação minoritária no Shopping Penha (de 73,18% para 56,06%) e R$ 63,9 milhões em dinheiro”, informou a Sonae.
Segundo Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) essa movimentação pode durar por mais cinco anos. O impulsionador dessas ações são: a economia brasileira mais sólida, investimentos estrangeiros no setor de malls e no montante arrecado em IPOs (da sigla em inglês de oferta pública inicial, de ações) que levantam fundos para as administradores crescerem no mercado.
“Essas compras e vendas são reflexo do montante adquirido com IPOs no passado. Só a BrMalls fez três ‘chamadas’ na Bolsa de Valores nos últimos tempos. Esse dinheiro será empregado na compra de participações, na construção de novos empreendimentos e em parcerias”, explica.
A previsão é que o País tenha em média 40 novos shoppings em construção ou em operação nos próximos três anos; fora os 95 projetos em análise que podem vir a se concretizar até 2015. Ainda na opinião do especialista, o Brasil vive um novo boom no setor de shoppings. “Tivemos um momento semelhante na década de 1980”, enfatiza Sahyoun.
O presidente da Alshop informou que o Brasil mostra potencial de crescimento e pode ter maior procura por regiões no interior do País — em especial para a construção de novos empreendimentos. “Existem muitos municípios que não possuem shopping. Com isso, o consumidor se desloca para outras regiões para encontrar um. O fato faz com que diversos prefeitos tentem tornar determinada região mais atraente aos investidores”, argumentou.
Para ele, há também o fato de novas ofertas de ações na Bolsa de Valores ocorrerem este ano, sendo que os bons resultados das administradoras têm atraído cada vez mais capital estrangeiro. “Para este ano teremos mais bancos de investimentos interessados no setor e grandes redes varejistas com sinais de que irão à Bolsa novamente, para angariar fundos e investir mais em participações e na construção de novos espaços.”
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