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27/01/2012 - 00h00 | Atualizado em 26/01/2012 - 18h35

Nova obra de Eastwood foca em líder do FBI

Em uma semana de fortes estreias no cinema, como "Precisamos Falar sobre Kevin", que apesar de não concorrer ao Oscar deste ano

Por: Camila Abud

São Paulo

Em uma semana de fortes estreias no cinema, como “Precisamos Falar sobre Kevin”, que apesar de não concorrer ao Oscar deste ano deve arrebatar boa parcela dos cinéfilos mais exigentes, além de “Millennium — Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, outro dos filmes mais aguardados do ano, e que segue a linha barra pesada, um destaque fica para quem gosta de assistir na tela grande biografias  de personagens curiosos é  J. Edgar, para os fãs do gênero.

A nova opção é a obra criada pelas mãos do sempre eficiente diretor Clint Eastwood (de “Os Imperdoáveis” , “Menina de Ouro”, entre outros). Agora, ele encara o desafio de apresentar ao público o perfil de um homem quase edipiano, cuja dependência psicológica de sua mãe o tornou praticamente amargo e sistemático, porém o manteve entre uma das pessoas mais surpreendentes deste século, o ex-diretor do Federal Bureau of Investigation (FBI), J. Edgar Hoover, interpretado com algum esforço por Leonardo DiCaprio.

O ator assume a tarefa de apresentar uma personagem complexa, extremamente didática no exercício da profissional, cheio de deslumbramentos e com um convívio romântico com seu parceiro Clyde Tolson, nunca confirmado por ambos, mas que seria impossível de ser despercebido no longa-metragem. DiCaprio às vezes acerta na caracterização de Hoover como um homem literalmente à frente de seu tempo, em vários aspectos. Por outras cenas, esquece de reforçar o tom de voz e a maquiagem também desaponta, mas nada que minimize o resultado final.

Muitos dirão que a sua digital considerada hoje como determinante para identificá-lo em qualquer circunstância foi um sistema implementado, entre aspas, por ele. E a disposição do filme é justamente a de mostrar tanto sua escandalosa carreira, marcada por uma administração dura do FBI e casos de chantagem — parte que chama a atenção do ponto de vista político e histórico na narrativa.

Responsável por várias mudanças no quesito investigação policial, Edgard, como gostava de ser chamado, teve uma vida cheia de sobressaltos, principalmente com relação ao seu duradouro relacionamento com Clyde Tolson (ricamente interpretado pelo ator Armie Hammer). A história apresentada na telona justamente busca acompanhar como era complicado o relacionamento de ambos, uma vez que eles nunca assumiram publicamente a homossexualidade — imagine o escândalo para a época, um diretor do mais alto escalão da área de Segurança norte-americana revelando sua preferência sexual?

Sem se comprometer, porém, Clint Eastwood quase deixa em tom subliminar o romance. Parece, a todo momento, que explorar esta questão seria incômodo demais, principalmente porque universalmente Hoover era conhecido por intimidar aqueles que ousavam questionar sua orientação sexual, ainda que ficasse completamente desconfortável diante do público feminino.

Indicados ao Oscar

Apesar de não figurar na lista de filmes indicados à disputa da estatueta dourada deste ano, J. Edgar é um corrido exercício das mudanças na política norte-americana. Já os que costumam acompanhar a premiação do tapete vermelho mais famoso do mundo, eis a lista dos indicados a disputar o título de  Melhor filme: “Cavalo de guerra”, “O artista”, “O homem que mudou o jogo”, “Os descendentes”, “A árvore da vida”, “Meia-noite em Paris”, “História cruzadas”, “A invenção de Hugo Cabret” e “Tão forte e tão perto”.

Divulgação

DiCaprio interpreta ex-diretor do FBI, responsável por várias mudanças no quesito investigação policial


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