Por: Davi Brandão / Andrezza Ribeiro
São Paulo
“É preciso muito mais do que samba no pé”. Com está frase é possível analisar como funciona o reinado de uma Rainha de Bateria de escola de Samba. Dona de um corpo escultural, Camila Silva, ocupa o posto desejado por muitas mulheres na Vai-Vai, uma das principais agremiações do carnaval de São Paulo. No mundo do samba desde os 7 anos de idade, Camila passou por diversas escolas paulistanas, até receber o convite para participar de um concurso na agremiação do Bixiga, e desde 2009, representar o seu pavilhão na avenida.
Como dito pela rainha, durante o ensaio do último domingo, ocupar o posto exige muito além do que se imagina, mas especialmente muita humildade e simpatia.
Atual campeã do carnaval de São Paulo, a Vai-Vai entrará na avenida, na primeira noite de desfiles do Grupo Especial, para prestar uma homenagem às mulheres. Perguntado se o fato exigirá uma responsabilidade maior da rainha e ela é enfática: “Sim e isso me alegra muito. Acho que essa homenagem deveria ter acontecido há muito tempo.” Acompanhe.
Qual a sua relação com a Vai-Vai? Aliás como a Camila Silva começou no carnaval?
A minha história com a escola começa em 2009. Mas a história com o carnaval teve início na minha infância, aos 7 anos de idade. Passei por outras agremiações, mas a Vai-Vai foi diferente. Uma amiga, a Ive Mesquita, era a rainha da bateria da escola em 2008. Eu trabalhava com ela e fazíamos eventos. Ela me chamou para conhecer a escola. Na época eu não estava em agremiação nenhuma, e fui até o ensaio. Chegando lá, o presidente, na época o Thobias, estava a procura de uma candidata para representar a escola em 2009, como rainha de Bateria. Ele me viu e pediu para a diretoria me convidar para participar do concurso. E como era um sonho de infância aceitei o convite. Participei do concurso Rainha do Carnaval 2009 e ganhei. Fui rainha do carnaval e em 2009 e o Mestre Tadeu me convidou para ser rainha de bateria também e até hoje desfruto deste reinado.
Sua família também é ligada ao carnaval?
Minha mãe me levava aos ensaios das escolas de samba, pois ela também tinha uma ligação com a festa de carnaval. Hoje ela não é mais frequentadora, mas agora quem arrasta ela para a quadra sou eu.
Comente sobre a responsabilidade em ser uma rainha?
É uma responsabilidade imensa, ainda mais em uma escola que tem tradição, como a Vai-Vai, que sempre teve as melhores rainhas do Carnaval de São Paulo. Um peso que carrego, mas com muita alegria e faço um trabalho bem feito.
Nas escolas citadas quais foram suas participações? A coroa de rainha veio somente na Vai-Vai?
Aos 7 anos fui a rainha mirim da Combinados de Sapopemba, uma escola do grupo de acesso da zona leste. Depois fiz a Dalila, que é do grupo de acesso também. Posteriormente, uma senhora chamada Tereza, me levou para a Leandro de Itaquera, onde fui passista de ouro, da bateria. Quando tinha uns 20 anos fui para a Nenê de Vila Matilde, onde fui rainha de bateria em 2007. Em 2008 fui destaque de chão da Camisa Verde e Branco, e 2009 aportei na Vai-Vai.
A ligação com a comunidade é importante àquelas que assumem o posto máximo da escola?
Em primeiro, não desmerecendo a diretoria, mas acho que uma escola sem a comunidade não é nada. É a comunidade que está, diariamente, faça chuva ou sol. Acho que pesa sim na comunidade e uma rainha de bateria tem que possuir essa comunicação.
Diante desta trajetória carnavalesca, como você avalia a evolução do carnaval de São Paulo?
A cada ano estamos em franca evolução e este projeto da Fábrica do Samba, será muito importante para mantermos esta evolução. Não deixamos nada a desejar para o carnaval do Rio de Janeiro.
Como funciona esse reinado ao longo do ano?
Temos que nos preservar o ano todo, com cuidados especiais para com alimentação. Participa de eventos, de entrevistas, de concurso. A gente faz muita coisa na época de carnaval.
E como mantém a forma?
Academia, musculação, alimentação e também exercícios de respiração e fôlego. Procuro não exagerar na gordura e bola pra frente.
Neste carnaval a Vai-Vai prestará uma homenagem às mulheres. E como é receber esta homenagem? Dá um motivo a mais para a empolgação na avenida?
Acho que o carnaval de São Paulo demorou para fazer esta justa homenagem, pois as mulheres estão, praticamente, dominando tudo. Acredito em fazer um carnaval grandioso, glamouroso. Quando se fala de mulher, significa essência. Mulher é dádiva de Deus.
Geralmente as atrizes, os cantores, entre outros profissionais falam de inspirações profissionais. E no caso de uma rainha de bateria, também existe essa inspiração?
Sim, lógico. Isso não é novidade pra ninguém. O Carnaval de SP tem uma grande sambista chamada Valquiria Ribeiro. Ela já foi rainha do carnaval, rainha de bateria da Vai-Vai. Ela é a top, como pessoa e como sambista.
Qual a sua expectativa para o dia desfile?
É muita alegria, e estou com muita ansiedade, eu quero muito sentir essa emoção.
Muitas garotas das diversas comunidades envolvidas com o carnaval também querem chegar a um reinado como o seu. Quais os conselhos que você pode deixar para elas?
Acho que é um conjunto. Em primeiro lugar humildade e sabedoria, e tudo tem sua hora. Não adianta você querer fazer uma coisa que não dá. Tudo tem seu momento e sua hora. Humildade, simpatia e beleza são fatores importantes, além do samba no pé.
O que representa a Vai-Vai para a Camila Silva?
A Vai-Vai é uma gratidão. No dia em que eu precisei ser acolhida eles me receberam de braços abertos, como uma mãe acolhe um filho. Não imaginei ser tão bem recebida da maneira em que eu fui. A comunidade tem muito axé, muita garra e é isso que eles passam pra mim.
E a representação do carnaval?
Acho que posso resumir: representa a minha vida!
Caio Pime / Divulgação
Camila fala da importância de uma rainha de bateria ser humilde e simpática, além de possuir muito samba no pé
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