Por: Juliana Estigarríbia
São Paulo
Aos poucos o drywall, mais conhecido como parede de gesso para interiores, vem vencendo a resistência dos brasileiros. O sistema, amplamente utilizado nos Estados Unidos, Europa e China, vem conquistando as construtoras, por dois motivos básicos: rapidez e diminuição substancial dos resíduos nas obras. Por isso, a indústria já se prepara para atender a demanda em ascensão e prevê, para 2012, um crescimento de até 25% para o setor.
A alemã Knauf, que possui em torno de 30% do market share, aprovou recentemente um aporte de R$ 30 milhões na ampliação de 60% da capacidade de sua fábrica de Queimados (RJ). E, neste ano, a empresa deve aplicar mais R$ 10 milhões na diversificação de seus produtos e na melhoria de seus processos. “É possível que, daqui a alguns meses, anunciemos a construção de outra unidade no País”, afirmou ao DCI o diretor financeiro da Knauf do Brasil, Siegfried E. Bretzke. Ele ressalta, no entanto, que a empresa ainda não bateu o martelo. “A possibilidade de ampliação de nossas plantas é grande no curto e médio prazo”, diz. Segundo ele, “o Brasil está na moda e todos estão de olho no País por seu alto potencial de mercado.
De acordo com o executivo, a produção da empresa em 2011 atingiu 18 milhões de m² de chapas de drywall. O crescimento registrado no período foi de 28% em relação ao ano anterior. A expectativa para 2012 é de um incremento semelhante, que pode chegar a 25%. “Os eventos esportivos também deverão impulsionar significativamente esse mercado, uma vez que todos os hotéis utilizam drywall, atualmente”, afirma Bretzke.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas para Drywall, Mário Castro, as empresas têm investido fortemente para atender esse mercado, que cresce impulsionado principalmente pela expansão imobiliária. Segundo a entidade, foram fabricados cerca de 39,1 milhões de metros quadrados de chapas de drywall no Brasil, em 2011, crescimento de 21% em relação ao ano anterior.
O estado de maior consumo do material é São Paulo, que fechou 2011 com 42% da demanda nacional. No entanto, na Região Centro-Oeste foi registrado um aumento de 45% dos pedidos no ano passado em relação a 2010. A Região Sul também teve crescimento fora da média, de 24% na mesma base de comparação. “O nosso produto está sendo cada vez mais aceito”, diz Castro.
Até quem tem algum tipo de dúvida sobre a capacidade de isolamento acústico do drywall – um dos principais problemas apontados pelos consumidores brasileiros – Castro afirma que não há motivos para preocupação. “Atendemos à norma 15.575, que exige um determinado desempenho acústico para as construções. O nosso sistema é o mais avançado nesse quesito”, garante o executivo.
O que parece, no entanto, é que os brasileiros ainda não abraçaram totalmente a ideia da parede de gesso, uma vez que, segundo dados da própria associação, o consumo por habitante do material, no País, é de 0,18 m², ao passo que esse número salta para cerca de 5 m² per capta na China e chega a 10 m² por habitante nos Estados Unidos. Ainda assim, as perspectivas no mercado interno são as melhores possíveis para o futuro. “O setor, no Brasil, tem um potencial de 200 milhões de m² ao ano e, atualmente, os fabricantes locais possuem, juntos, uma capacidade de quase 70 milhões de m²”, afirma Castro
Em 2012, a previsão da Associação do Drywall é chegar a 45 milhões de metros quadrados de chapas produzidas internamente, oferta que deve ser totalmente absorvida pelo mercado. “Quase 100% dos projetos comerciais utilizam drywall em seus interiores”, afirma o diretor-presidente da Margen Engenharia, construtora com sede em São Paulo, Márcio Giudicissi.
Segundo o executivo, além do isolamento acústico e da rapidez em relação à alvenaria tradicional – que pode chegar a ser três vezes mais demorada – as chapas de gesso geram muito menos rejeito nas obras.
“O drywall deixa menos resíduos e possibilita a entrega mais rápida do projeto, o que confere mais rentabilidade principalmente para construções comerciais, que precisam operar o mais cedo possível”, explica Márcio Giudicissi.
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R$ 1,940
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