Por: Alessandra Gardezani / Bruna Alves
São Paulo
Em sua 32ª edição, o principal evento de moda da América Latina, a São Paulo Fashion Week (SPFW) promoveu uma viagem no tempo, com passagem a várias décadas. Os anos 20 foram mostrados pela antenada Huis Clos, com shape reto e franjas. Saias lápis e trench-coats retornaram com a elegância da mulher da década de 40 em desfile da Colcci, que também trouxe lãs pesadas e tweed. Para dar sequência a viagem, saias volumosas remetem à feminilidade dos anos 50, com a marca R.Rosner. O clássico tubinho da década de 60 serviu como base de criação para Tufi Duek. Na década de 90, o minimalismo esportivo inspira Raquel Davidowicz em Uma. Por fim, o futurismo de Gloria Coelho vem em coleção inspirada em galáxias. O Toda Moda te leva nessa viagem no tempo e antecipa as principais tendências para o próximo inverno e apresenta o que de melhor aconteceu durante os seis dias de SPFW.
Primeira vez
A R.Rosner, grife dirigida por Rodrigo Rosner, foi a grande estreia desta edição do line-up. A marca apresentou sua coleção na sexta-feira (20) e mostrou looks inspirados em mariposas, que segundo superstições, dão boa sorte. O estilista levou à passarela, uma modelagem de peças complexas, com vestidos longos e soltos, além de usar e abusar de rendas e brilhos. As saias mostraram movimento, sejam as longas ou as mais curtas.
Os detalhes das peças ficaram à cargo de drapeados, e aplicações em rendas, que deram um efeito de luminosidade. Destaque para um vestido longo transparente, com aplicações de pedras em locais estratégicos, como contorno dos seios, cintura até chegar à metade da coxa.
Entre os tecidos utilizados, estão o chamalote, organza e gazer de seda, camurça de lã, tule renda e chiffon de seda.
A cartela de cores ficou nos clássicos de inverno, como o preto, marrom, azul royal, dourado, roxo e amarelo, chegando aos tons mais suaves, como creme e nude.
As saias foram desfiladas com um pouco de volume, que ajuda a dar movimento. Assim como as mangas, que também são bastante volumosas. Outra característica que não caiu de moda e marcou presença em vários desfiles, foi a cintura bem marcada. Rosner apostou nessa tendência para os looks de inverno. Sobreposições de tecidos deram o tom da próxima estação.
Transparências e brilhos
Pedras, cristais, miçangas, rendas aplicadas como bordados e tudo o mais que é possível para fazer a mulher brilhar vale nesta estação. A mistura de rústico e brilho também é muito bem-vinda tanto em formas mais justas, contornando o corpo, quanto mais arredondadas e afastadas, com ênfase nos ombros arredondados como os apresentados por Herchcovitch.
Tropicalismo à flor da pele
Apesar de o País ser referência em moda verão, o Brasil deu o tom do inverno nas passarelas da São Paulo Fashion Week.
A estilista da grife Maria Bonita, Danielle Jensen levou os convidados para uma viagem entre os manguezais do Norte do Brasil. Peças com shapes mais retos em cartela de cores terrosas compunham a coleção, que ressaltava a mistura de materiais, como paetês de látex e franjas, características dos anos 20, que lembravam escamas de peixe. O grande destaque da coleção ficou para os chapéus feitos com fios sintéticos trançados, imitando as tramas da cestaria típica do Estado do Pará.
Em contrapartida, FH por Fause Haten mostrou a coleção baseada no tropicalismo, tendência observada no último verão, que deve ser mantida no próximo inverno.
Os convidados puderam sentir a atmosfera tropicalista com rosas colombianas espalhadas por toda a sala de desfile.
Na passarela, a referência pode ser traduzida não só nas estampas de rosas e folhagens, mas também nos shapes de algumas peças, como nas saias longas que surgiram amarradas como se fossem saídas de praia. Aplicações de rendas e flores feitas a mão também apareceram em vários vestidos.
A rebeldia do rock’ n’roll
Com uma estética que é a cara do inverno, a tendência rocker também despontou nas passarelas da SPFW. A Iódice, veterana na semana de moda paulista, desfilou coleção inspirada no livro “Rock and Royalty”, do designer italiano Gianni Versace. Assim como as mulheres de Versace, Valdemar cria uma mulher forte, segura e acima de tudo, ousada.
Os metais, como ouro rosê e bronze são o ponto alto da estação e passeiam por toda a coleção de diferentes formas: em telas, no jérsei metalizado, nos fios de lurex misturados à estampas e no couro. Na alfaiataria, shapes mais amplos e maxi casacos ganham destaque.
A cartela de cores reforça o tom rocker com preto, bege, bronze e estampas de serpente. Os acessórios, desenvolvidos em parceria com Fabrizio Giannone, transformam as serpentes em com braceletes em banhos de ouro rose e ródio.
Para seu inverno 2012, a Ellus se inspirou em três universos diferentes: na saga da era viking, no hipismo e no movimento heavy metal. A referência viking vem nas cores e nas estampas. O hipismo é caracterizado pela silhueta marcada e pelas clássicas calças de montaria, item básico para a prática do esporte. Já o heavy metal aparece nas cores escuras em peças com ar mais rebelde.
Os metais também se destacam na coleção, onde tons de cobre aparece nas roupas e nos acessórios.
Destaque da coleção para a releitura de trench coat e jaqueta perfecto, usados com vestidos retos de cintura marcada.
Tons do inverno
Neste inverno, além dos tons sóbrios como preto e cinza, grifes como Osklen e Animale apostaram em cores vibrantes como vermelho e azul.
O desfile da Colcci, o mais esperado dessa temporada, também apresentou looks mais escuros com acessórios bem coloridos, como scarpins e bolsas-carteira em vermelho, roxo, amarelo e verde-bandeira.
Visual despojado
A boca deve ser a grande estrela do inverno, na maioria dos desfiles o que predominou foram os looks que davam destaque para batons escuros ou de cores vibrantes.
R Rosner e Mario Queiroz apostaram nessa tendência e trouxeram uma maquiagem leve, com lábios marrons. Reinaldo Lourenço optou por uma sombra preta esfumada no canto externo dos olhos, formando uma espécie de grafismo. Celso Kamura, que fez a beleza do desfile feminino de Alexandre Herchcovitch trouxe um look clean com destaque para um delineador dourado nos olhos. Ainda com foco nos olhos, Animale e Cori, primeiras grifes a desfilar nessa edição da SPFW, a primeira mostrou o tradicional e infalível esfumado preto, a segunda marca apostou no metálico. Na pálpebra, sombra cobre combinada com pigmento de coloração prata.
Para os esmaltes, que conquistam seu espaço no mundo da moda a cada temporada, as tendências dos tons para a estação permeiam o sóbrio e o elegante, com destaque aos tons terrosos, como marrons, vermelhos e cinzas. Os lilases, verdes e azuis, que estiveram presentes na moda verão, serão discretos e amenos, trazendo um ar de mistério e desejo de ter. A coleção da Risqué assinada pelo estilista Reinaldo Lourenço, que pode ser vista nas mãos das modelos e durante os seis dias de SPFW no lounge da marca, apresenta seis cores que prometem ser must have da estação.
Para as madeixas, um ar despojado, com cabelos predominantemente lisos ou presos de maneira displicente numa espécie de moicano, coques ou rabo-de-cavalo baixos, são as apostas para a temporada.
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