Por: José Henrique Fabre Rolim
São Paulo
A exuberante mostra “Índia” no Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112, Centro) faz uma incursão pela cultura de um país complexo com uma população gigantesca e um forte cunho religioso, seis religiões e 400 línguas e dialetos, repleto de cores e detalhes decorativos. Reunindo 350 peças cobrindo um período longo de 200 a.C. até a atualidade, o espectador poderá admirar pinturas, algumas em tecidos outras em papéis, fotografias, utensílios, peças do vestuário, mobiliário e imagens religiosas compondo um painel multifacetado das características marcantes de um povo.
A curadoria da exposição, a cargo de Pieter Tjabbes, revela na diversidade cultural da Índia uma atraente visão de quatro temas essenciais para se compreender os grandes desafios de um país: Homem, Reis, Deuses e Contemporaneidade.
No núcleo Homem o cotidiano é o destaque tanto na área rural como urbana, com uma infinidade de objetos, jóias, trajes, esculturas e expressivas fotografias como as instigantes apresentações com fantoches e bonecos de sombra.
No tema Reis o realce fica por conta da área religiosa e cenas de batalhas em pinturas sobre papéis, concebidas entre os séculos XV e XIX, alcançando também as fotografias e um curioso documentário sobre a arquitetura palaciana indiana.
No próximo tema dedicado aos Deuses, o que impressiona são as esculturas de diversos períodos, e notadamente as pinturas em miniatura, objetos, fotos e documentários sobre as religiões existentes no país.
Finalmente é apresentada a Índia contemporânea possibilitando uma interação com o público que descobrirá assim uma realidade ambiental bem diversa da imaginada.
A Bollywood não foi esquecida, pois a produção cinematográfica indiana é espantosa, aliás, foi montada uma sala de cinema bem clássica com detalhes glamurosos, seguindo uma linha art déco, repleta de posters e fotografias das estrelas. Na tela, porém, trechos de filmes são projetados na língua original, criando um clima incrível para apreciar o dinamismo cultural de um país, essencialmente místico e religioso.
Algumas das incríveis obras expostas são provenientes de museus de arte asiática de Berlim na Alemanha, Reitberg ,em Zurique, na Suíça, Volkenkunde em Luden, na Holanda e Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro como também instituições privadas e colecionadores indianos, enquanto outras peças foram encomendadas para a exposição, tendo o curador viajado pela Índia durante mais de um mês para analisar e providenciar a sistematização da leitura cultural do complexo país.
No piso térreo, o visitante poderá assistir um filme sobre o país com duração de 7 minutos, além de visualizar um yantra (altar) com a imagem de Ganesh, a mais venerada representação de Deus no hinduísmo, uma divindade de quatro braços, barriga grande e a cabeça de um elefante com uma só presa, porém, bem ao lado num outro canto, surge um tuk-tuk, triciclo motorizado usado como taxi. No charmoso hall foi instalado o espaço Caminho das Índias com figuras utilizadas na novela exibida pela TV Globo em 2009.
No terceiro andar, estão expostos os objetos utilitários do uso diário do povo indiano que são de uma beleza e requinte estimulantes proporcionando uma leitura ágil inclusive das vestimentas completas que atraem a atenção dos observadores pela impecável estética.
No segundo andar, porém, estão dispostas máscaras, esculturas e objetos de diferentes épocas que esclarecem as principais características das religiões da Índia: hinduísmo, islamismo, cristianismo e budismo. Neste espaço as peças mais antigas são magníficas como o Busto de figura feminina aparentemente Deusa-Mãe, equivalente a Nossa Senhora para os católicos, com data de 200 a.C., as esculturas em pedra, como “Buddhapada” que representa uma pegada associada a Buda e “Vishinu” ambas do século XI e a pintura “Shri Bujnathji, divindade do estado de Kota adorado por músicos”, datada de 1730. Nesse piso ainda ganham destaque a música, a dança e a TV indianas e paralelamente uma estupenda exposição de fotos do cotidiano focadas por dois dos mais importantes fotógrafos no país, notadamente no século XX, Raghubir Singh e Raghu Rai.
No subsolo é mostrada a linha do tempo da Índia e uma seleção de fotografias antigas, são cerca de 100 imagens pertencentes à Fundação Alkazi de Nova Déli, uma visão do povo indiano e o desenvolvimento das cidades entre 1860 e 1920, além da luta de Mahatma Gandhi pela independência da Índia, ocorrida entre 1928 e 1947 e registrada por Homai Vyarawall, a primeira repórter fotográfica do país.
No quesito arte contemporânea são apresentadas obras do coletivo Pix Collective e dos artistas Vishal K Dar (Digboi, 1976) e Vivan Sundaram (Simla, 1943), dando uma leve visão da produção artística atual.
No Rio, a mostra foi vista por 600 mil pessoas, demonstrando assim a forte atração que exerce a Índia no imaginário dos ocidentais, um misto de tradição na fartura das cores e na pujança da arte, uma visão enraizada nos estágios superiores da alma.
Divulgação
A curadoria da exposição, a cargo de Pieter Tjabbes, revela na diversidade cultural da Índia uma atraente visão de quatro temas essenciais para se compreender os grandes desafios de um país: Homem, Reis, Deuses e Contemporaneidade
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