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27/10/2011 - 08h47

Economia deve crescer abaixo do potencial do País até 2013

Relatório da OCDE sobre o Brasil prevê avanço de 3,6% do PIB neste ano, de 3,5% em 2012, e de 4% em 3 anos, inferior à capacidade de 4,5%

Por: Fernanda Bompan / DCI

SÂO PAULO

A economia brasileira deverá crescer abaixo do seu potencial de 4,5% nos próximo dois anos, prevê a organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em relatório divulgado ontem, a organização projeta aumento de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 3,5% em 2012 e de 4% em 2013. Essa avaliação condiz com a opinião do mercado que critica o fato do País, principalmente, ter uma taxa de investimento pequena, em torno de 18% do PIB.

No entanto, chama atenção a OCDE explicar que essas projeções dependem ainda de um cenário econômico global “relativamente favorável”. Ou seja, que a pauta de exportação do País não seja afetada pelo agravamento da crise gerada pela fraca recuperação dos Estados Unidos e pelo endividamento soberano dos países europeus.

“Há riscos negativos ao redor deste cenário, e o desempenho econômico do Brasil depende da materialização de um cenário relativamente favorável para a economia mundial”, diz o relatório.

“Se a crise piorar seremos afetados, já que haverá limitação do comércio entre Europa e China, sendo esse último nosso principal parceiro comercial”, diz Osmar Visibelli, professor da Anhembi Morumbi, ao acrescentar que nossa balança comercial pode ser compensada pela venda de alimentos.

Segundo a organização, a demanda interna, “estimulada por um investimento vigoroso, deverá provavelmente continuar sustentando a atividade econômica, mas deverá se atenuar progressivamente” em razão do aperto das políticas macroeconômicas.

O professor de Economia da Fucape e especialista do Instituto Millenium, Cristiano Costa, comenta que um dos condicionantes para que o crescimento econômico seja menor que seu patamar de potencial é a junção da política fiscal com a monetária. “O governo, ao reduzir a taxa de juros [para os atuais 11,50%], sinaliza uma maior preocupação na expansão do PIB, do que em controlar a inflação. Podemos até crescer por volta de 3,5% dos próximos dois ou três anos, o que nem é um problema para o Brasil. Mas no futuro o governo vai ser obrigado a elevar a taxa de juros, novamente”, prevê.

Ele concorda que um agravamento da crise internacional terá efeitos desfavoráveis ao País. A crítica do especialista é maior no que diz respeito à administração do governo de Dilma Rousseff, opinião esta endossada por Visibelli. “Tudo leva a crer que não veremos estabilidade [crescimento potencial] na economia nos próximos anos”, aponta.

“O meu principal medo é de que o governo também esteja muito otimista [quanto ao futuro]. As previsões orçamentárias trabalham com um crescimento de receita de 5%, mas não acredito que isso vá acontecer, a ser possível que ocorra um déficit orçamentário, mais uma vez”, acrescenta Costa.

Inflação

A OCDE prevê ainda que a inflação brasileira poderá se reduzir progressivamente, mas deverá se manter na parte superior da meta estipulada pelo governo, que neste ano é de 4,5%. Segundo o relatório, a inflação brasileira deverá ser, portanto, de 6,5% (teto da meta) em 2011, cair para 6,2% em 2012, e para  5,1% em 2013.

“Essa análise chama ainda mais atenção, por conta da memória brasileira com pressões inflacionárias”, afirma o professor da Anhembi, ao explicar que o controle da inflação obtida a partir de 1996 — com a implementação do Plano Real —, fez com que as empresas perdessem o referencial de defesa contra o aumento excessivo dos preços.

Para a OCDE, o principal desafio macroeconômico do Brasil “consiste ainda em reduzir a inflação sem atrair capitais voláteis”. Para a organização, as autoridades terão de enfrentar a tripla tarefa de manter a independência da política monetária, a estabilidade da taxa de câmbio e a flexibilidade dos movimentos de capitais. “Aumentar a taxa de juros para abrandar o crescimento econômico pode atrair capitais de curto prazo, alimentar a expansão econômica e provocar novas pressões de alta sobre o real”, diz o relatório.

O estudo aponta ainda algumas medidas que poderiam auxiliar no combate à inflação e enviar sinais claros ao sistema bancário para reduzir o spread (diferença) nos empréstimos a pessoas físicas e empresas.

A reforma da Previdência, para preparar o Brasil para o envelhecimento da população economicamente ativa, seria outro importante sinal para o mercado sobre a seriedade do governo com a contenção de gastos. A adoção de um teto para gastos do governo e outro para a expansão dos salários do funcionalismo seriam outras ferramentas importantes.

Outro problema apontado no relatório é de que as exportações de petróleo cresceram consistentemente na última década, assim como as vendas de manufaturados, a indicar “sinais limitados” de que o Brasil começa a sofrer da doença holandesa — fenômeno que provoca a desindustrialização em um país razão da forte apreciação do câmbio decorrente da exportação de produtos básicos, como o petróleo.


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