01/02/2012 - 09h06 | Atualizado em 01/02/2012 - 14h19

Dan Seagrave: maior ilustrador do death metal fala sobre a carreira

Artista conta como se tornou referência no cenário internacional no que se refere a ilustrações para discos

Por: Leonardo Moreira

São Paulo

O ilustrador Dan Seagrave ganhou notoriedade quando, nos anos 80, criou capas para discos que se tornariam verdadeiros clássicos de uma das vertentes do heavy metal, o death metal. Em entrevista exclusiva ao Panorama Brasil, o artista fala sobre carreira, música e como se tornou referência para uma geração de novos ilustradores especializados em trabalhar com bandas.

Panorama Brasil: Como você começou a criar capas de discos para bandas? Quantos anos você tinha e qual foi seu primeiro trabalho?

Dan Seagrave: Eu tinha 17 anos e fiz uma capa para o Lawnmower Deth, uma banda da minha cidade no Reino Unido. A partir daí eu fiz vários trabalhos de graça para a RKT Records, e pouco depois a capa de “Altars Of Madness” para o Morbid Angel, em 1989. Depois de alguns projetos, foi só uma questão de divulgação boca-a-boca entre as bandas.

PB: Qual das suas ilustrações em álbuns é a melhor, na sua opinião? De qual você se orgulha mais?

DS: Eu não tenho uma favorita. Gosto mais de alguns trabalhos do que de outros, mas não os vejo dessa forma. Eu faço o melhor que posso quando preciso fazer a arte para um disco, mas não me prendo aos trabalhos, porque eles são feitos para outras pessoas verem e apreciarem. E eu também não olho constantemente para o que eu já fiz. Acho que isso não seria produtivo para a minha criatividade.

PB: Você realizou parcerias com bandas como Entombed, Morbid Angel, Dismember e Carnage. Como é a sua relação com a música?

DS: Tudo começou naquela primeira ilustração que fiz para o Lawnmower Deth. Os selos de gravadoras com os quais eu negociava me entregavam projetos de bandas que tinham contratos assinados com eles e que combinavam com o tipo de trabalho que eu realizava. O boca-a-boca fez o restante do trabalho de divulgação. Os selos começaram a me procurar quando na verdade eu mesmo não estava em busca de trabalhos. A música era boa e eu sinto que houve um período muito bom entre os anos de 1988 e 1994. Depois deste ano, não voltei a trabalhar com bandas até 2000. Não pensava em voltar àquele tipo de projeto, mas gradualmente o cenário musical se transformou e começaram a surgir artistas de outras vertentes do metal que gostaram do que eu faço, e que começaram a entrar em contato comigo.

PB: Se você pudesse listar seus artistas favoritos, ou pessoas que te inspiram, quem seriam eles?

DS: Escher, Piranesi, Justin Todd, Gaudi, Ralph Mc Quarrie, Hans Holbein, Brugel, Turner, Giger. Eu também gosto muito de arquitetura e admiro o trabalho de Frank Gerhry, que é de Toronto (Canadá) e fez uma extensão no museu de arte da cidade.

PB: Você gosta de música? Quais bandas você costuma ouvir?

DS: Eu ouço a BBC 6 a maior parte do tempo, porque geralmente eu enjoo de álbuns depois de ouvi-los algumas vezes. Então eu gosto muito de escutar bandas novas. Mas gosto também de gente como David Bowie, Siouxsie & The Banshees, Stone Roses, Buzzcocks, The Specials…

PB: Qual é o seu trabalho mais recente?

DS: Eu fiz uma ilustração chamada “Descendant”, que transformei em um pôster. Eu desenhei em Toronto e comecei a pintá-la quando retornei à Inglaterra. A peça foi finalizada em Toronto, quando voltei ao Canadá. Tenho me dedicado a desenhos para uma nova série com a temática ártica e dos Alpes, que será similar à série de templos que desenvolvi, um pouco distante do tipo de arte que desenvolvo para discos.

PB: Quais são os elementos que te inspiram quando você precisa criar a arte para um álbum?

DS: Inspiração não é a palavra certa. Minha mente só começa a pensar na capa de um disco quando eu recebo um tema. O resto está na minha cabeça, eu não preciso de livros ou fotos. Tudo parte da minha imaginação, eu não preciso de inspiração direta. Eu poderia estar em um quarto branco e surgir com alguma coisa. Ou talvez em uma ilha deserta, o que seria mais legal. Eu não preciso tomar referências constantemente.

PB: Quais características podem ser identificadas no seu trabalho, do seu ponto de vista?

DS: Imaginação e paciência para atingir o resultado desejado. Eu busco formas interessantes, dimensões quase abstratas que me permitem “brincar” e exteriorizar a obra. É essencial que as formas sejam interessantes. Eu geralmente crio um senso de história e trabalho com a ideia de que as coisas são temporais e passam por processos de evolução, deterioração e renascimento, o que oferece uma noção de tempo - do passado e do futuro.

Conheça mais do trabalho de Dan Seagrave no site do artista.


Seu e-mail não será divulgado.
Leia aqui a política de privacidade.


Compartilhe sua opinião no Panorama Brasil, mas certifique-se que seu comentário está de acordo as Termos de uso do site.


Seu e-mail não será divulgado.
Leia aqui a política de privacidade.


Compartilhe sua opinião no Panorama Brasil, mas certifique-se que seu comentário está de acordo as Termos de uso do site.

Cotações

  • DÓLAR (COM)
    R$ 2,000
    16/05 às 17:03
  • DÓLAR (PAR)
    R$ 1,920
    16/05 às 16:00
  • DÓLAR (TUR)
    R$ 1,920
    16/05 às 16:00
  • IBOVESPA
    55887
    16/05 às 17:16
  • DOW JONES
    12598.55
    16/05 às 16:30
  • NASDAQ
    2561.56
    16/05 às 16:05
Empresas parceiras: Shopping News Rádio Central AM Jornal DCI Rádio Nova Brasil FM TVB