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02/08/2011 - 09h15

Crédito para veículos começa a ter queda efetiva em carteira

Alta dos juros e avaliação mais criteriosa na concessão, além da ampliação do calote, justificam desaceleração de financiamento a carros

Por: Marcelle Gutierrez/DCI

SÂO PAULO

A indústria automobilística ultrapassou a marca de 2 milhões de veículos vendidos neste ano, e julho deve exceder  300 mil na comparação com julho de 2010, de acordo com dados da Associação Nacional dos Veículos Automotores (Anfavea). Apesar dos significativos números, o setor apresenta desaceleração nos últimos meses em consequência dos altos custos do financiamento, com constante elevação da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 12,50% ao ano, aumento do valor da entrada e avaliação mais criteriosa das instituições financeiras por conta dos riscos, apontaram especialistas. As medidas macroprudenciais também contribuem para esta nova realidade neste segmento.

Segundo o  Banco Central, o saldo total em pessoa física em junho chegou a R$ 158,063 bilhões, acréscimo de 10,6% em relação ao de janeiro, de R$ 142.197 bilhões. No mesmo período do ano passado, o crescimento foi superior, de 16,26%, de R$ 95,674 bilhões em janeiro de 2010 para R$ 111,228 bilhões em junho.

No total de concessões acumuladas em junho, a desaceleração pode ser observada com queda de 3,6% na comparação com maio, de R$ 8,797 bilhões para R$ 8,476 bilhões. Já a média diária das concessões apresentou leve alta, de R$ 400 milhões em maio para R$ 404 milhões em junho.

Para Adriano Gomes, professor de Finanças e Administração da ESPM, há dois fatores principais que justificam a redução do financiamento de veículos, com o objetivo de esfriar a curva de crescimento observada um ano atrás. “Houve a restrição da totalidade do financiamento. Antes podiam-se financiar 100%, agora há o aumento do valor da entrada de acordo com o prazo para o crédito ser aprovado. O segundo ato foi o aumento da Selic, chegando a 12,50% a.a. O financiamento de automóveis fica mais caro.”

Os resultados divulgados por dois grandes bancos privados referentes ao primeiro semestre de 2011 reforçam a tendência de desaceleração. O saldo da carteira do Bradesco totalizou R$ 250,834 bilhões em junho de 2011, com R$ 101,462 em pessoa física. O saldo do segmento de financiamento de veículos chegou a R$ 26,753 bilhões, queda de 0,04% ante março deste ano, que foi de R$ 25,763. Em relação ao último trimestre de 2010, período anterior aos reflexos das medidas macroprudenciais do governo, o crescimento foi de 7,80%, quando na comparação do segundo trimestre de 2010, de R$ 21,328 bilhões, com dezembro de 2009, a elevação chegou a 14,16%.

Para o final de 2011, o Bradesco mantém o guidance (perspectiva de crescimento) de 10% a 14% no produto veículo.

A elevação nas carteiras para pessoas físicas do Santander Brasil em junho, foi de 23,4% ante o primeiro semestre de 2010, para R$ 56,647 bilhões. No ramo veículos, houve acréscimo de 3,9%, de R$ 23,466 bilhões para R$ 24,384 bilhões. Já ante março de 2011, com total de R$ 24,291 bilhões, o crescimento foi de 0,38%.

Para Adriano Gomes, os bancos estão mais criteriosos na concessão de crédito por causa da alta da inadimplência, que chegou a 7,8% em veículos no mês de junho, de acordo com o BC.  “Além de ser uma linha de maior risco, o veículo desvaloriza-se muito rápido e há tramites na Justiça para iniciar o leilão do produto apreendido. Com isso, o produto não é uma garantia tão valiosa.”

Em relação aos financiamentos bancários (Crédito Direto ao Consumidor, ou CDC), o arrendamento mercantil (leasing) apresenta a maior queda. Tanto nos segmentos de pessoa física como jurídica, o item veículos e afins corresponde a cerca de 77% dos bens arrendados, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Leasing (Abel).

Na comparação com maio, as operações direcionadas às pessoas físicas tiveram queda de 2,7%, para R$ 36,812 bilhões. Já em relação a junho  de 2010, o recuo chega a 33,4%, quando era de R$ 55,287 bilhões. “O leasing é burocrático e há a desvantagem de não adiantar o pagamento das parcelas”, explica Mauro Calil, educador financeiro e fundador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil.

Para Calil, equanto a Selic e o preço do combustível estiverem em alta,  será difícil haver  reação dos financiamentos de veículo.

Divulgação


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