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16/02/2012 - 00h00

Construtora carioca tem 50% da receita de shopping center

Novo empreendimento da empresa Ecia está previsto para 2014, no Rio de Janeiro. Grupo detém o Shopping Via Brasil, Center Shopping Rio e West Shopping

Por: Cínthia Zagatto

São Paulo

A construtora carioca Ecia, de capital familiar, dos irmãos Araújo, como consta em seu site, atua no mercado desde 1955 e detém participação em quase 70% de seus centros de compras, o que já rendeu um forte nível de caixa, ao perceberem esse filão. Hoje, o segmento de shopping centers representa cerca de 50% do faturamento da empresa — guardado a sete chaves pelos executivos.

Com experiência na indústria mobiliária, em construção civil e maturação de novos shoppings, a empresa comemora crescimento de 25% nos últimos anos, e pretende manter o índice em 2012. A administração dos atuais três empreendimentos — dos quais a Ecia possui a participação majoritária — está com a BrMalls,  que lidera o segmento de centros de compras no País, perto de Multiplan, Iguatemi e General Shoppings, entre outras.

Segundo Fernando Araújo, diretor da Ecia, o próximo shopping da empresa, cujo investimento por parte da construtora é em torno de R$ 220 milhões, número que ele garante não estar além do montante usual do qual a construtora lança mão nos outros centros, acaba de sair de um mero projeto para ganhar a cidade do Rio de Janeiro, no bairro Recreio dos Bandeirantes.

Denominado Américas Shopping, o empreendimento deverá ser aberto em 2014 e agora a sociedade está em fase de negociação — mas a construtora faz questão de se manter sócia. “Passamos por alguns períodos mais e menos difíceis, e com isso tentamos visualizar dentro da indústria uma atividade que desse estabilidade em nível de caixa. Os shoppings dão uma retaguarda, mesmo que a construção civil tivesse ou não financiamentos. Hoje isso está bom, mas já vivemos  outra realidade.”

Para ele, a decisão de administrar não era o negócio mais acertado. “Você tem que fazer o que sabe fazer de melhor, e essa não é nossa expertise. Quem quer fazer tudo acaba se saindo mal em alguns negócios, e decidimos ficar com a parte de construir e empreender, já que temos empresas que conseguem fazer melhor em outros segmentos. Já antes da BrMalls trabalhávamos com a Ejec”, afirma.

Pioneirismo

O novo centro de compras que será construído pela Ecia ficará na zona oeste do Rio de Janeiro, e conforme garante a empresa será o primeiro empreendimento do setor a conquistar o selo de Alta Qualidade Ambiental (Aqua) na fase de projeto. “O problema de seguir conceitos de sustentabilidade é quando você precisa adequar o projeto no meio do caminho. No nosso caso, como já começamos com essa ideia e temos toda a equipe trabalhando em uma mesma direção, o orçamento não assusta muito. A diferença no preço é muito pequena”, afirma.

A construção ficará até 20% mais cara que outras já realizadas pela construtora, mas o diretor não atribui aos materiais sustentáveis, mas ao acabamento mais aperfeiçoado por causa da localização do prédio. Ainda que a região seja voltada para um público de classe A e B, a empresa acredita que o mix de lojas esteja bem distribuído para atender a todos os perfis. Como a comercialização ainda está em fase inicial, a Ecia prefere não citar nomes dos contratos que seguem em andamento, mas as primeiras três semanas de negociação dos pontos de venda — encabeçada pela Shopinvest —  deixam os empresários satisfeitos.

A Área Bruta Locável (ABL) do empreendimento já ganhou sua primeira expansão ao passar de 25 a 35 metros quadrados diante da grande procura por redes interessadas em fechar contrato. Isso significa uma expansão de quase 60 lojas, que a empresa esperava comercializar quando as obras já estivessem em processo mais avançado de andamento. “Temos quatro propostas de cinema, sendo que as maiores operadoras estão interessadas. Além disso, não temos mais espaço para âncoras, os contratos de todas já estão sendo confeccionados”, diz. De acordo com ele, a diferença entre o novo shopping e os que a empresa já possui é a maior quantidade de lojas “conceituais”, palavra com que ele classifica marcas que comercializam produtos de maior valor.

A construtora continua com a intenção de receber o selo Aqua nas fases de concepção e realização, mas os próximos passos não assustam os empresários. “Já tivemos experiências anteriores, como sistema de captação e reaproveitamento de água de chuva, por exemplo. Este projeto veio para coroar nossas iniciativas anteriores” diz Araújo.

O shopping tem previsão de inauguração para o primeiro trimestre de 2014 e segue o projeto da Ecia de construir uma unidade a cada dois ou três anos. Terá 220 lojas, que incluem 5 âncoras, 5 megalojas e 5 restaurantes, além da praça de alimentação. Para entretenimento, a empresa investe em um teatro e salas de cinema com tecnologia 3D. Além disso, para o conforto do público, a infraestrutura do shopping contará com estacionamento de 2.500 vagas cobertas.


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