Por: Marcelle Gutierrez/DCI
São Paulo
Com uma posição cautelosa durante o ano de 2011, por conta do complicado cenário internacional, o BicBanco fechou em 31 de dezembro com R$ 4 bilhões em caixa, maior provisão e redução de 12,7% das operações de crédito, para R$ 11,588 bilhões. Em consequência, o lucro líquido fechou o ano com queda de 33,3%, para R$ 232,4 milhões. Contudo, a perspectiva para 2012 é de retomada do crescimento.
Ao fim do último ano, o BicBanco atingiu patrimônio líquido de R$ 1,996 bilhões, alta de 4,1% ante o quarto trimestre de 2010, quando ficou em R$ 1,954 bilhões. O total de ativos também apresentou elevação, de 2,4%, para R$ 17,491 bilhões, e o Índice de Basileia foi de 18,1%, superior ao mínimo de 11% exigido pelo Banco Central. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) foi de 11,8%, inferior ao 18,7% registrado em 2010.
O vice-presidente da instituição financeira, Milto Bardini, explicou que o ano de 2011 foi dedicado a criar provisões para riscos. “Percebemos que a crise internacional gerou alguns impactos negativos na nossa economia, principalmente em alguns setores”. A provisão para créditos atingiu o montante de R$ 491,7 milhões, acréscimo de 98% sobre 2010.
Mas o cenário para 2012 começa a melhorar, segundo o executivo. “Agora já no primeiro semestre a crise começa paulatinamente a estabilizar e prevemos um crescimento de acordo com a média do mercado, porque o ambiente ainda exige cautela”. Bardini projeta expansão da carteira de crédito de 15% a 20%.
Além das provisões, o banco manteve a postura conservadora com caixa de R$ 4 bilhões. Segundo Bardini, ambos impactaram o resultado do quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 30,1 milhões, redução de 43,9% na comparação com o terceiro trimestre, quando foi de R$ 53,5 milhões. “Foi mais deprimido com as provisões de crédito pela ótica do cenário mais difícil. Adicionalmente, houve o custo com o nível de liquidez do caixa de R$ 4 bilhões”.
Ontem, data da divulgação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), as ações caíram 0,76%, cotadas a R$ 7,80. No dia, o Ibovespa fechou em alta de 1,18% com 66.141pontos.
Especializado na concessão de crédito corporativo no segmento das médias empresas (middle market, na sigla em inglês), com faturamento anual entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões, a carteira de crédito do BicBanco totalizou R$ 11,558 bilhões no último ano, valor inferior em 12,7% na comparação com 2010, quando ficou em R$ 13,234 bilhões. Em relação a julho a setembro de 2011, a redução foi de 7%.
De acordo com o vice-presidente, a redução no volume da carteira está ligada a postura mais conservadora do banco, mas também ao volume da demanda, que foi menor do que 2010. “Foi atenuado. Os empresários veem a mesma situação complicada e estão com menos apetite para investimento e produção”.
O índice de inadimplência acima de 90 dias fechou o quarto trimestre em 2,8%, elevação de 1,1 ponto percentual (p.p.) ante o quarto trimestre de 2010 e alta de 0,6 p.p. em relação ao terceiro trimestre de 2011, que estava em 2,2%. Já nos contratos acima de 60 dias, o índice ficou em 3,4%, crescimento de 0,6 p.p. ante o período anterior, que estava em 2,8%, e acréscimo de 1,4 p.p na comparação com os meses de outubro, novembro e dezembro de 2010. “Houve sim um aumento dos percentuais vencidos além dos 60 dias, mas não creio que seja uma tendência. Nossa perspectiva é de estabilização ou queda da inadimplência em crédito corporativo ao longo deste ano”, explicou Bardini.
No que se refere à composição do funding, o BicBanco encerrou o ano com o volume de R$ 14,449 bilhões em recursos captados, o que representa um recuo de 3,1% em relação ao terceiro trimestre, mas expansão de 4,9% nos últimos 12 meses.
Do total, R$ 10 bilhões foram originados no mercado doméstico, R$ 2,291 bilhões no mercado de trade finance e o restante, R$ 2,157 bilhões, no exterior. Questionado sobre sua visão sobre o cenário internacional de investimentos, o executivo disse que percebe um mercado exigente e arredio.
Sobre captações externas planejadas para o BicBanco, Bardini afirmou que não há. “Há grande volume de caixa e o mercado doméstico está bastante intenso. Além disso, os custos são inferiores.” A única forma de busca por investimentos ocorre por organismos multilaterais, revela o vice-presidente. “As multilaterais não requerem imposto sobre os custos da operação. Interessa no custo e no relacionamento com importantes entidades”.
Em janeiro deste ano, o banco realizou uma captação de US$ 208 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com prazos de três a cinco anos. No início de fevereiro, ocorreu uma busca de capital estrangeiro no valor de US$ 40 milhões pelo prazo de 10 anos junto à Proparco, da França.
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