Por: Thatiana Santos
RECIFE
A Ambev confirma a transferência da sua linha de produção de cervejas, que há 47 anos funciona na fábrica do Cabo de Santo Agostinho, para a nova fábrica da empresa em Itapissuma. O anúncio foi feito pelo diretor de comunicação externa da Ambev, Alexandre Loures, que adiantou que a marca irá construir um novo centro de distribuição no Cabo em 2012. Alexandre garantiu que a fábrica localizada no Litoral Sul de Pernambuco tem um cronograma confirmado de produção de refrigerantes até janeiro de 2013, e, nessa data, a empresa vai avaliar se a planta do Cabo continuará ou não operando.
“Estamos dependendo do mercado. Sabemos que Pernambuco é o estado que mais cresce no Brasil e, atualmente, necessitamos de duas fábricas aqui. Vamos manter as duas funcionando e o consumidor vai dizer se devemos continuar com elas ou fechar a do Cabo”, explicou Loures. Segundo ele, a mudança da linha de produção de cervejas para a planta de Itapissuma foi um decisão estratégica da empresa e não indica uma diminuição da produção local. “Estávamos planejando investir R$ 290 milhões no estado em 2011 e acabamos investindo 500 milhões.
Isso prova que estamos crescendo e não o contrário”, completou.
Gilvan José de Lima, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Bebidas de Pernambuco, (Sindbeb-PE), discorda. De acordo com ele, desde outubro de 2011, quando o sindicato sentou com o representante da Ambev para negociar a reposição salarial do ano, a hipótese do fechamento da fábrica do Cabo estava sendo levantada. “Conversei com Willian Motte, representante da Ambev, e quando recusamos a proposta da empresa de um aumento de 8%, ele me disse que era melhor 8% com a fábrica funcionando por mais um ano do que 10% de reposição e o fechamento imediato da fábrica. Como eles estão crescendo?”.
Lima disse ainda que a Ambev confirmou a reposição de 90% dos funcionários da antiga planta mas, até agora, nenhum documento foi assinado confirmando o número ou mesmo divulgando quais serão os critérios de aproveitamento da mão de obra. A prefeitura do Cabo também foi procurada pelo Diario, mas informou que só se pronunciará se o fechamento da fábrica for oficializado.
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