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22/02/2012 - 12h54

A máscara do PT caiu, afirma líder tucano

Para ele, há muito os petistas perderam a bandeira da ética, a exemplo da Infraero, que ficará com 49% das concessões para empregar militantes

Por: Abnor Gondim

BRASÍLIA

“O povo não é trouxa”, afirma o novo líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Bruno Araújo (PE), sobre os mais recentes movimentos do governo da presidente Dilma Rousseff na área de privatizações. Em entrevista exclusiva ao DCI, o líder tucano acusa o PT de ter atrasado o desenvolvimento do País em quase dez anos por ter pregado a não privatização em setores que não podem ser tocados apenas pelo poder público.

“Caiu a máscara do PT às vésperas do carnaval”, atiça, lembrando as privatizações realizadas para os aeroportos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Boa parte feita, na avaliação de Araújo, para manter os empregos dos apadrinhados do PT na estatal Infraero, que vai ficar com 49% das concessões.

DCI: O senhor assume a condição árdua de enfrentar um Congresso em que a oposição é muito frágil e tem cerca de 20% de todo o Congresso. No caso do PSDB, há uma frente lançada em relação à criação da CPI da Privataria Tucana. Como o senhor irá agir em relação a essa CPI?

Bruno Araújo: A nossa atuação política não está circunscrita, dependente ou se sentido ameaçada por eventual deferimento ou não dessa CPI. A proposta da CPI é algo que nasce de um livro que tem como autor alguém indicado pela Polícia Federal como um dos chefes da espionagem contra o PSDB. É um livro que tem, nitidamente, um conteúdo político, calunioso e difamatório. O livro é produzido com uma série de documentos que são Xerox de documentos produzidos pela CPI do Banestado que já foi objeto de apreciação do Congresso. Hoje, com as privatizações produzidas pelo PT nos aeroportos, podemos dizer que caiu a máscara e só fortalece as ações tomadas pelo PSDB no passado e mostra que se perdeu um tempo muito grande. 

DCI: O senhor acha que o PT está seguindo o caminho aberto pelo PSDB em relação às questões econômicas?

BA: Eu acho que o PT viu dentro do seu próprio governo sonhos desabarem. No passado, antes de 2002, o sonho era de uma economia socialista e eles tiveram de acordar abraçando a economia do Pedro Malan [ministro da Fazenda no governo FHC.  Eles sonhavam com um País onde a participação do estado era imensa e acordaram tendo que vender os aeroportos. O sonho que o PT sonhou foi a ética na vida pública e esse eles jogaram fora.

DCI: Falando ainda em privatizações, alguns deputados alegam que o PT fez, na realidade, concessões. Ao contrário do que fez o PSDB, que privatizou a Vale do Rio Doce.

BA: A Vale do Rio Doce foi privatizada empregando 11 mil brasileiros e hoje emprega mais de 110 mil. A Embraer foi privatizada pagando de tributos R$ 31 milhões por ano e hoje paga R$ 1,8 bilhão por ano. Quem ganhou com essas privatizações? O Estado Brasileiro, a sociedade brasileira. O PT fala no sistema de telecomunicações, porque ele não é honesto intelectualmente de dizer que telecomunicações é concessão? E quem compra uma antena, por exemplo, você compra uma concessão. O PSDB não teve a preocupação de dizer que fez a concessão das telecomunicações. Então, não é com jogo de semântica que algo vai mudar. O PT não pode tratar o povo como trouxa. O povo tem percepção das coisas com muita clareza. O que o PT fez, mesmo com qualquer nome que ele der, ele pôs a iniciativa privada dentro do negócio que era exclusivo do governo. É isso que o povo entende. O povo entende que agora empresários participam de um negócio que era só do governo.

DCI: Alguns críticos dessas operações consideram que o governo entregou as joias da coroa...

BA: A nossa crítica maior é menos a desmoralização ideológica do PT. A crítica que dói são os 10 anos perdidos da sociedade brasileira defendendo a bandeira da não privatização, perdendo novos investimentos. De permitir que nas áreas em que o Estado não tem eficiência ou recursos, que a iniciativa privada participe com a sua criatividade, com capital. E o PT utilizou ainda dinheiro do BNDES, de fundos de pensão, fizeram tudo que o PSDB fez, só que com ineficiência, pois levaram 10 anos para fazer e porque manteve a Infraero com 49% do capital com um único objetivo: empregar os petistas.

DCI: Mesmo tendo caído sete ministros?

BA: Eu sempre digo, a caneta que demitiu foi a caneta que nomeou. A presidente nada mais fez que limpar a sujeira produzida pelo seu partido.

DCI: Parlamentares da oposição querem que o Legislativo possa interferir na escolha dos membros da Comissão de Ética do Planalto.

BA: Quando a Comissão de Ética produz algum movimento que atinge ao governo, pois expõe a má conduta, isso gera irritação do Planalto. O que interessa ao governo? Uma Comissão de Ética que cumpre o seu papel, ou apenas um órgão homologador dos maus feitos da Presidência? Dos maus feitos do Executivo?

DCI: Há provas do envolvimento do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e do ministro Tofolli, do STF, como um lobista, conforme noticiado pela Veja?.

BA: Eu tenho a maior curiosidade de saber o que a Comissão de Ética tem a dizer no sentido de não reconhecer que aquela troca de e-mails não é republicana. Para mim, o exercício de semântica, o exercício que se faça para dizer qualquer coisa diferente é injustificável.

DCI: Esse ano é mais curto, quais são as prioridades?

BA: Dá para insistir em derrubar o veto da Dilma que tirou bilhões de reais da saúde, nós precisamos entregar o Código Florestal ao Brasil, isso é pauta do país e não do governo.

DCI: Quer dizer que a aprovação da Emenda 29 não foi suficiente?

BA: Não satisfez porque ela deixou a conta no colo dos municípios e dos estados e tirou recursos importantes da União no atendimento à Saúde. Recursos que envolvem não somente a questão de variação do PIB, mas sobre a aplicação de recursos da Saúde.

DCI: Qual é a posição do PSDB em relação ao Fundo da Previdência dos Servidores Públicos que será votado agora depois do carnaval?

BA: O PSDB vai ser coerente com sua vida pública, diferente do PT que votou contra essa proposta em São Paulo e apresenta isso para o País, nós vamos votar favorável, fazendo a ressalva de que o projeto ainda está distante do ideal. O País vai sentir o resultado em 30 anos, se o governo do PT tivesse discutido essa proposta no início do seu governo seriam apenas 20 anos. Já estaríamos mais perto de um resultado onde a população brasileira deixasse de pagar por essa grande injustiça social, que é a maior concentração de renda da América Latina, a concentração dos recursos do déficit da previdência do serviço público. Esse déficit é o modelo mais perverso de concentração de renda que existe, pois temos o déficit de quase R$ 50 bi por ano, para atender 900 mil brasileiros.

DCI: O senhor falou em Código Florestal, o PSDB vai apoiar a provação da proposta no Senado?

BA: O PSDB foi um dos grandes partícipes da construção desse texto, tanto na Câmara quanto no Senado. A tendência é que o projeto, para ser concluído, nós referendemos as emendas do senador, em um processo de negociação para que permita que a presidente da República cumpra o acordo no sentido de sancionar o texto integral saindo do Congresso. Nós esperamos que a presidente não vete nenhum dispositivo, respeitando esse grande grau de entendimento que houve aqui.

DCI: Serra para a Prefeitura de São Paulo?

BA: Esse é o nosso sonho de consumo, mas há uma compreensão clara de que a participação ou não do ex-governador José Serra na eleição de São Paulo terá grande influência não somente nos resultados das eleições municipais, como nas eleições estaduais e um grande reflexo nacionalmente.

DCI: O alinhamento das composições será nacional ou está liberado para municípios?

BA: Não há regra para eleição municipal, pois envolvem peculiaridades locais que estão acima de diretrizes nacionais. Obviamente que há situações especiais, como uma aliança do PDSB com o PT em um município deve ser analisada pela executiva regional do respectivo estado.


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