Por: Camila Abud
São Paulo
O filme do diretor Martin Scorsese que detém o maior número de indicações ao Oscar deste ano, o mágico “A Invenção de Hugo Cabret”, é um exercício diferente na filmografia do cineasta, mais acostumado a circular pela esfera de filmes de ação, com cenas brutais, como “Taxi Driver” (1976).
Depois de apresentar longas impactantes como “Os Infiltrados” (2006) e “Gangues de Nova York” (2002), entre outros, o diretor adota agora uma veia mais singela — mas não menos interessante. Ao contrário, cria um universo recortado em cenas por vezes quase monocromáticas, mas que mostram por detrás disso um mundo de fantasias e esperança, na eterna busca pela redenção pessoal.
Baseado no livro homônimo de Brian Selznick, de 2007, o filme costura de maneira até poética a vida de um garoto solitário, que após perder seu pai resolve se virar sozinho, pincela a infância no caminho da perda da inocência. Ao mesmo tempo em que ele busca fazer de tudo para finalizar uma das engenhocas até então herdada de seu pai, aqui um robô moderno e capaz de ações inesperadas, a peça quase torna-se um brinquedo raro com especial posição no desenrolar da trama.
O filme é considerado como um dos seus melhores, e mostra as diversas nuances de um diretor que se envolve em situações e narrativas diferenciadas, sem medo, agora sobre um menino que vive escondido em uma estação de trem, observando o mundo ao seu redor. Vale lembrar ainda como o diretor realizou “O aviador”, sobre a vida do excêntrico milionário Howard Hughes, um projeto extremamente pretensioso que resultou em 11 indicações ao Oscar, dentre as quais a de Melhor Filme, Diretor e Ator (Leonardo Di Caprio).
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